ESMERALDA DO ATLÂNTICO

 É difícil falar de Fernando de Noronha sem cair em lugares comuns e frases já ditas inúmeras vezes. Por conta disso, para melhor descrever a ilha, prefiro ficar com a frase atribuída a Américo Vespúcio, que descobriu aquela ilha deserta em l0 de agosto de 1503, "O paraíso é aqui".

 

Fernando de Noronha é um passeio para poucos. Não só porque há um rígido controle do número de visitantes na ilha, mas também porque é um destino muito caro. Passagem, hotel, passeios, transporte, aluguel do equipamento de mergulho, comida e taxa de preservação ambiental têm preços altos por lá. Mas cada centavo gasto vale muito a pena. Para quem como eu gosta de praias desertas, selvagens e pouco exploradas, é sem dúvida nenhuma um dos melhores destinos do Brasil. A cor da água, verde esmeralda, eu nunca tinha visto igual.

 

Na qualidade de “pais saudosos dos filhos que viajavam com a escola”, reparamos em cada criança que passeava pela ilha. E foram poucas as que vimos. Definitivamente não é o passeio mais adequado para se fazer com crianças pequenas. É possível levá-las, mas com elas perdem-se as chances de conhecer o que Noronha tem de mais bonito: praias selvagens sem nenhuma estrutura e a rica fauna marinha, só observável através do mergulho. Se não for possível deixá-las com ninguém, o melhor é esperar que cresçam para fazer esse passeio. Acredito que com uns 9 ou 10 anos elas estarão mais aptas para usar a máscara para o mergulho livre, para as caminhadas e para as praias sem infra-estrutura (leia-se bar, chuveirada de água doce e guarda-sol).

 

Ficamos hospedados na pousada Solar de Loronha. É do grupo das mais luxuosas da ilha. Bangalôs com cama king size, TV a cabo, internet wi-fi, um chuveiro para lá de gostoso e o que mais curtimos: café da manhã servido no quarto diariamente. A piscina refrescante e deliciosa com vista para o morro do pico e o serviço para lá de atencioso completam os mimos. Precisar de todo esse luxo num destino em que se passa o dia todo passeando pelas praias, não precisa. Mas que é bom demais da conta, lá isso é. E para nós que estávamos no clima lua-de-mel sem filhos foi perfeito.

 

Visitamos a ilha toda nos cinco dias em que estivemos por lá. Acho que é um tempo ideal para combinar descanso e lazer. Dá para conhecer tudo e também ficar um pouquinho à toa de papo para o ar na piscina da pousada ou numa das lindas praias de águas transparentes.

 

Mergulhamos apenas com máscara e snorkel. Não tivemos coragem de fazer o mergulho com cilindro. Depois que virei mãe fiquei ainda mais covarde. Mas mesmo assim vi tartarugas marinhas, peixes de várias cores e tamanhos, arraias pequenas e grandes e lagostas. No passeio de barco que fizemos, vimos inúmeros golfinhos rotadores e no mirante dos golfinhos vimos também alguns tubarões. A água é tão límpida e cristalina, que não é preciso muitos adereços para observar a rica vida marinha. Lindo, emocionante de ver e uma atividade que enterra qualquer resquício de stress.

 

Acho sempre meio complicado dar dicas, dado que os gostos são muito individuais e o que eu achei interessante outro pode achar muito chato, mas lá vão algumas das minhas observações sobre a ilha: 

  • Há duas companhias aéreas que levam turistas para Noronha: a Tryp e a Varig. A Tryp tem um code share com a Tam. Basta se planejar com bastante antecedência, que é possível economizar nas passagens como nós fizemos. Daí sobra mais para uma hospedagem mais bacana, por exemplo. O aeroporto em Noronha é pequeno, apertado e sei lá porque não tem ar condicionado no saguão central. Por conta disso, não vale muito a pena chegar com muita antecedência para o check-in. Para o resgate das milhas, o mais fácil é ir pessoalmente a uma lojinha da Tam. 
  • Além da Solar do Loronha há outras pousadas bem bacanas: Maravilha, Zé Maria, Solar dos Ventos e Teju-Açu. Mas dá para economizar na hospedagem também escolhendo uma das inúmeras pousadas familiares. Assim, sobra mais para passeios e alimentação. E é possível jantar em várias dessas pousadas bacanas para conhecê-las. Nós fomos jantar no restaurante da Zé-Maria e da Maravilha e adoramos. Se for comprar apenas a parte terrestre, consulte algumas agências. No nosso caso, o pacote que compramos da Ambiental, que incluía traslados e um passeio de barco tinha diárias mais baratas que as que conseguimos ligando diretamente para a pousada.
  • Na mala além dos apetrechos tradicionais que costumamos levar quando vamos para a praia, é importante não esquecer da mochila, já que há trilhas para fazer, e de uma papete ou tênis, pois algumas caminhadas envolvem pedras e trilhas mais íngremes.
  • Vale a pena comprar o passeio chamado Ilhatur, que passa em várias praias ao longo do dia, com paradas para mergulho na praia do Sueste (onde vimos várias tartarugas marinhas), Sancho e Leão. O passeio de barco estava incluído em nosso pacote. Várias pessoas reclamam de enjôo, mas eu gostei muito. Vimos um montão de golfinhos no caminho e vários peixinhos na parada para mergulho na praia do Sancho. Para os demais passeios, vale a pena pesquisar um pouco. Pagamos menos para o passeio da trilha do Atalaia, por exemplo, e ainda tivemos um guia exclusivo para nós. E para ter maior liberdade para circular por toda a ilha, o ideal é mesmo alugar um buggy, coisa que fizemos em dois dos nossos cinco dias na ilha.
  • Para quem gosta de praias desertas e pouco exploradas, Sancho, Baía dos Porcos, Leão e Cacimba do Padre são imbatíveis. Mas caso o objetivo seja ficar de papo para o ar, Boldró tem um bar com uma comida maravilhosa, uns sofazões para dar uma cochilada e espreguiçadeiras com guarda-sol; Sueste tem um serviço de aluguel de guarda-sóis; e a Praia da Conceição tem um ótimo bar com cadeiras localizadas estrategicamente à sombra de coqueiros. Para quem não consegue agüentar muito tempo o sol da região, são ótimas pedidas.
  • Vale a pena ir assistir o pôr-do-sol no Forte do Boldró. Todos os turistas da ilha estarão lá. E é lindo mesmo de ver. Se não quiser consumir no barzinho que abre e fecha para a ocasião, peça um picolé como nós fizemos e garanta o direito de esperar sentado nas mesinhas que eles colocam por lá. É bem mais confortável do que esperar sentado nas pedras do mirante.
  • O museu dos Tubarões vale a visita. Tem um gramado lindo com esculturas de tubarões, o mirante do Buraco da Raquel e um barzinho ótimo para se provar os bolinhos de Tubalhau (carne de tubarão que como o próprio nome diz têm gosto de bacalhau). A lojinha também tem umas camisetas lindas para os pequenos (só comprei coisas para eles, minhas dicas de compra restringem-se aos artigos infantis).
  • As palestras gratuitas promovidas pelo Ibama no Centro de Visitantes do Projeto Tamar diariamente das 21 às 22hs são um programa bem bacana. Nós assistimos uma palestra de um biólogo do Projeto Tamar sobre as tartarugas marinhas e de um geógrafo sobre os aspectos da vegetação e fauna da ilha. Ambas muito divertidas, didáticas e instrutivas. A lojinha do Projeto Tamar também tem umas coisas lindas para as crianças.
  • A trilha do Atalaia vale a pena apesar das três horas debaixo de um sol escaldante e da difícil caminhada de 600m por cima de pedras vulcânicas soltas na praia de Caieiras. A piscina natural da Pontinha, só acessível através dessa trilha, foi onde encontrei a maior variedade de vida marinha. Peixes coloridos, arraias e corais inigualáveis.

Hoje no final da tarde chegam as crianças de sua viagem com a escola. Pelas fotos que eles disponibilizaram no site da escola, foi uma farra e tanto. Paz e silêncio deixarão de reinar por aqui novamente.

Alê em frente ao Morro dos Dois Irmãos, na Praia da Baía dos Porcos.

 

Nós dois na trilha do Atalaia.

 

Sombra, água fresca e um peixe puxado na manteiga com castanha-de-caju deliciosos no bar Meu Paraíso na Praia do Boldró.

 

Pôr-do-sol no Forte do Boldró.

 

No mirante dos Golfinhos, onde vimos mesmo foram tubarões (os golfinhos vêm cedinho nadando até lá e já tinham ido embora quando chegamos)

 

Eu, posando de sereia (ou será baleia?) numa das esculturas do gramado do Museu dos Tubarões.