DESFRALDAMENTO: FUNCIONOU COMIGO
Rodrigo já está sem fraldas durante o dia há quase uma quinzena. Apesar de termos iniciado o processo bem depois da irmã, que tirou as fraldas um mês antes de completar dois anos, também não estamos tendo grandes problemas com ele. Ele já está pedindo para ir ao banheiro fazer xixi e já faz alguns cocôs na privada (disse alguns, porque os poucos escapes que ainda acontecem são quase sempre com cocôs).
Acho que o fato de eles ficarem o dia todo na escola ajuda muito. Foi da escola que recebi um aviso de que eles já estavam aptos a começar o processo. Embora eu já tivesse reparado em alguns sinais, acho que se dependesse apenas de mim provavelmente teria adiado o começo do desfralde, exatamente por não ter muita certeza se já seria ou não a hora de começar.
Nesta semana a Ana, que está passando pela mesma situação com sua pequena, pediu-me algumas dicas sobre o assunto. Não acredito muito nessa coisa de dicas infalíveis quando o assunto são crianças, porque cada uma é única e o que funciona com uma pode muito bem não funcionar com outra. Por conta disso, resolvi aqui traçar um paralelo entre o que os manuais sobre desfraldamento pregam e o que funcionou ou não comigo na minha experiência com o Rodrigo e a Luísa:
1) No início convidar a criança para ir ao banheiro de meia em meia hora.
Nos primeiros dias é comum a criança ainda não pedir. Por conta disso é realmente importante oferecer a ela. Essa é de longe a fase mais chata do desfraldamento. Você passa o dia com uma única frase na boca: “-Quer fazer xixi?”. Aliás, minto. Não é só uma não, porque há variações: “Quer fazer cocô? Quer ir ao banheiro?”
E a verdade é que isso estressa um pouco a criança (afinal ninguém é de ferro para agüentar por dias a fio a mãe de uma frase só. Nem a música linda “Samba de uma nota só” ouvida à exaustão eu agüentaria, quanto mais frases tão desagradáveis quanto estas). Por isto, meu conselho é realmente fazer isso bem no início apenas. E evitar sair de casa e ficar o tempo todo ao lado da criança para ir entendendo melhor o tempo dela. Eu, por exemplo, já percebi que o Rodrigo leva umas duas horas para querer fazer xixi novamente. E na maioria das vezes ele já pede para ir ao banheiro. Assim, parei de oferecer em intervalos tão curtos de tempo e já prefiro esperar ele pedir.
2) Não fazer cara feia, xingar ou recriminar a criança quando ocorrerem os tão famosos escapes.
Esse conselho dos manuais parece um tanto quanto óbvio, mas não é. É claro que todos sabemos que nenhuma criança é feia ou deixa de ser amada porque fez um xixizinho na calça. Mas depois de limpar meia dúzia de xixis e uns dois cocôs num único dia, as chances de estarmos irritadas com pouca paciência e soltarmos algo do tipo: “Que menino feio!”, são grandes. Mas considerando o estrago à auto-estima da criança que tais frases podem fazer, meu conselho é: conte até dez para deixar a racionalidade vir à tona nessas horas. E realmente nunca xingue, recrimine ou faça cara feia.
3) Por outro lado, evite dizer que está tudo bem.
Concordo com isso também. Você quer que a criança vá ao lugar correto certo? Então ir para o outro extremo e dar aquele sorriso dizendo: "-Não tem problema filhinho, está tudo bem!”, também não parece ser a melhor estratégia. As chances de isso confundir a criança são grandes. Afinal, se está tudo bem então significa que ela pode continuar fazendo na calça certo?
Com o Rodrigo eu tenho dito algo do tipo nestas ocasiões: “-Escapou? Que chato né? Na próxima vez você pede e fará na privadinha”. E procuro minimizar a questão como um todo, porque percebo que ele fica muito triste quando escapa, sentindo-se frustrado por não ter conseguido. Tenho elogiado as tentativas bem-sucedidas, sem no entanto transformar a coisa numa festa. Damos risada, falamos que foi muito legal e pronto. A nossa idéia é mostrar que ele tirar as fraldas é importante, mas não se trata de uma questão de vida ou morte.
4) Evitar o uso de penicos e redutores do tipo engraçadinho e manter o penico sempre no banheiro.
Acho que uma dúvida que tive anterior a esta quando chegou a vez da Luísa foi: devo usar penico ou redutor de vaso? E depois de passar pela segunda experiência no assunto, cheguei à conclusão de que é a criança quem escolhe como se sente melhor. Ou seja, comprei os dois e eles escolheram o que preferiam usar.
Luísa preferiu o penico. O dela não era do tipo engraçadinho. Era bem parecido com uma privada pequena, mas tinha um acessório horroroso que foi devidamente inutilizado para o bem da minha sanidade mental: um botão que quando apertado tocava música. Imaginem ouvir uma musiquinha eletrônica chata no banheiro dezenas de vezes enquanto ajuda sua filha a fazer cocô? Era mesmo insuportável. E eu segui a dica de não tirar o penico do banheiro. Acho que facilita o entendimento deles de que têm de pedir um pouco antes de a coisa estar à beira de acontecer, já que precisam caminhar até o banheiro.
Rodrigo, por sua vez, prefere a privada. E com isso descobri depois de anos que existem privadas em vários formatos. As minhas são retangulares e até o momento não achei redutores compatíveis com elas (os que achei no mercado são para privadas redondas, que é o que tenho usado). Quanto à questão de evitar modelos engraçadinhos, no meu caso o redutor do Rodrigo é em formato de urso e tem funcionado bem. Obviamente funcionaria melhor se ele fosse retangular como minha privada.
5) A criança precisa estar com os pés bem apoiados no chão.
Acho que é realmente importante que eles estejam confortáveis e estar bem apoiados faz muita diferença. Deve mesmo ser difícil fazer força pendurados no ar, que é como eles ficam quando colocados nas privadas grandes. Por isto acho que quando bem pequenos ficam melhor instalados no penico.
Com a Luísa usamos um banquinho para ela apoiar os pés assim que ela passou para a privada, e resolvemos a questão. Mas no caso do Rodrigo, tenho ajudado apenas segurando-o, já que ele não quer usar o penico e ainda é muito pequeno para conseguir apoiar os pezinhos no banquinho. Por isto, acho esta dica ótima mas nem sempre possível de ser seguida na prática.
6) Tirar primeiro as fraldas durante o dia e depois, quando a fralda tiver amanhecendo seca há uns dias, iniciar a retirada das fraldas noturnas.
Conheço vários casos em que as crianças deixaram de usar fraldas tanto durante o dia quanto à noite ao mesmo tempo. Acho que varia muito de criança para criança. Particularmente acho o conselho pertinente. A não ser que a criança sinta-se incomodada e peça para tirar a fralda da noite também, é mais fácil treiná-la durante o dia primeiro e depois tirar a fralda da noite. Do ponto de vista operacional, também prefiro lidar apenas com os escapes e deixar para lidar com lençóis e colchão molhados quando os escapes já não existirem. Caso contrário, não há varal que dê conta do montão de roupas sujas.
Só fui retirar as fraldas noturnas da Luísa um ano depois que ela já não usava fraldas durante o dia. E foi realmente muito fácil assim. Rodrigo também permanecerá usando fralda à noite por um bom tempo. Mas eu já não tenho usado fralda no período da soneca diurna e não tivemos nenhum xixi no berço até agora.
7) Uma vez feita a retirada das fraldas, nunca mais colocá-las novamente durante o dia, pois isto pode confundir a criança e atrapalhar o processo.
Isto eu não obedeci. Em ocasiões como festinhas infantis ou longas viagens de carro eu colocava fralda na Luísa. Dizia que era só para a festa, para que ela pudesse brincar à vontade ou que seria apenas para o trajeto da viagem. Não estava a fim de ficar enchendo a menina a festa toda, sobretudo porque nessas ocasiões de brincadeiras e muita excitação os escapes são comuns. Com o Rodrigo pretendo seguir o mesmo padrão. Em ocasiões em que achar conveniente, colocarei uma fralda avisando que será só por algumas horas.
E para encerrar, três coisas que não estão nos manuais mas que funcionaram comigo:
Nos primeiros dias do processo achei melhor evitar sair muito de casa. Acho muito chato ficar limpando chão ou trocá-los em lugares públicos; acho interessante ficar ao lado da criança o dia todo para entender o tempo dela; e acho que fica mais fácil se eles se acostumarem com o banheiro da própria casa e com o tempo que levarão para chegar até ele. A Luísa tirou as fraldas num feriado e nós ficamos pelo menos quatro dias em casa com ela.
O desfraldamento é mais fácil no verão do que no inverno. No calor é possível deixá-los só de calcinha ou cueca andando pela casa. Suja muito menos roupa. A Luísa tirou as fraldas no final de abril, mas num ano em que estava muito calor. Já o Rodrigo pegou um tempo mais frio e eu achei bem mais chato, sobretudo na primeira semana onde os escapes foram mais freqüentes.
E o conselho que eu acho mais precioso: comprar calcinhas ou cuecas baratésimas e em grande quantidade. Nós compramos duas dúzias de calcinhas e cuecas de cerca de R$ 1,00 cada. O objetivo disto é simplesmente poder jogar as peças fora caso necessário, coisa que eu já fiz com a Luísa algumas vezes (em caso de cocô em shopping por exemplo, jogava a calcinha fora como se fosse uma fralda). A Luísa só foi ganhar calcinha bacaninha depois de meses. As primeiras, como eu costumo dizer, furavam só de olhar. Farei o mesmo com o Rodrigo.