Blog da Macacada


FIM DE UMA ERA

A nossa casa está em festa nos últimos dias. Ao que tudo indica Luísa terminou nessa semana o longo tratamento que fazia desde dois anos e meio para o estrabismo.

Apesar de nos preocuparmos muito com a questão estética, o maior problema do estrabismo é a redução da visão que ocorre no olho estrábico. Como meu marido teve o mesmo problema quando criança, fomos orientados a levá-la a um oftalmologista desde que completou um ano. O diagnóstico veio aos dois e meio: hipermetropia e estrabismo. E apesar de todo o avanço da medicina, nesta área a solução ainda é o bom e velho tratamento de tampar o olho que tem a visão cem por cento para forçar a criança a exercitar o outro olho. O sucesso do tratamento depende de um diagnóstico precoce, pois o tratamento só funciona na fase de desenvolvimento do nervo óptico, o que acontece até os sete, oito anos. Mas depende fundamentalmente de paciência e cooperação da criança, e muita perseverança dos pais.

Paciência e cooperação que a Luísa demonstrou. Apesar de sua vaidade, enfrentou os olhares curiosos de todos que a viam com o tampão na rua com galhardia. Enfrentou a caçoada inicial dos colegas, convencendo-os finalmente de que era legal ser uma pirata de tapa-olhos, a cada dia com um tampão colorido que combinava com sua roupa. Enfrentou o desconforto de ficar com um band-aid no olho por oito horas consecutivas diariamente na maior parte do tratamento. Tudo isto por cinco longos anos.

Perseverança que eu e o meu marido também demonstramos. Em insistir para que ela usasse e em enfrentar os momentos de recusa e cansaço. Em enfrentar os olhares dos outros e as frases como a dita por um frentista em certa ocaisão: "-Tadinha né? Tão bonitinha e não tem um olho".

Por tudo isto estamos todos muito felizes neste momento. Comemorando uma vitória coletiva. Que fez com que a nossa pequena recuperasse totalmente a visão de um olho.

Luísa, numa das poses com tampão aos quatro anos, Rodrigo aos seis meses e o papai orgulhoso



Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 08h55
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OLEMAC E MELÔ

Fiquei muito feliz em ver este livro de Fernando Vilella na lista de 2008 dos 30 melhores livros infantis do ano, recentemente publicada pela revista Crescer.

 

Pelas metáforas que utiliza, por toda a sensibilidade que destila e pelo fato de mostrar para as crianças paulistanas sua cidade sob um prisma diferente do que aquele que elas estão acostumadas a ver, acho o livro realmente genial.

 

Olemac é um camelo que trabalhava feito um burro de carga para um comerciante árabe. Cansado de carregar tantas tralhas, num belo dia ele foge, entra num barco e vai parar no outro lado do oceano, no Brasil, ou, mais precisamente, no Rio de Janeiro em pleno Carnaval. Olemac então, meio atordoado com toda aquela festa na rua, entra num caminhão e vem para São Paulo. Aqui ele conhece Melô, que trabalha como camelô no centro da cidade. E é sobre a amizade que floresce entre estes dois seres que tanto se parecem (um camelo e um camelô, Olemac e Melô) que versa o resto da história.

 

As ilustrações feitas pelo próprio Fernando são outro motivo para nos apaixonarmos por este livro. Boa parte delas é composta por xilogravuras feitas com borracha branca retangular, o que me lembrou muito da minha infância, quando usei as tais borrachas várias vezes como carimbos. Luísa não só adorou a idéia, como também quis experimentá-la.

 

Uma maneira linda e sensível de mostrar para as crianças as diferenças sociais de uma grande metrópole, de fazer com que eles entendam melhor a vida dura daqueles comerciantes de rua que eles costumam ver, e de despertar neles a curiosidade de conhecerem melhor a cidade em que vivem.



Categoria: Olha só o que eu achei do livro
Escrito por Denise às 18h09
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ATRAVESSANDO GERAÇÕES

Há certas coisas que eu fazia quando criança que aproveito para fazer novamente, para que as tradições atravessem gerações. E também porque certas bobagens apenas podemos fazer quando voltamos a ser mães.

Semana passada no banho, ensinei para eles a versão que eu adorava cantar para o jinlge das Duchas Corona: "Apanha o sabonete, escorrega no tapete e cai de bunda no alfinete".

Foi uma diversão geral, que completamos com a minha versão em criança para o jingle do Café Seleto: "Depois de um sono bom, a gente levanta, toma aquele tombo e quebra os dentinhos. Na hora de tomar café, é café concreto, que a mamãe prepara, xingando os vizinhos. Café concreto tem sabor de palmito, que provoca o vômito. É café concreto, café concreto".

Leitores da minha geração certamente se lembram dos originais e das versões. Para quem quiser conhecer, os originais estão aí.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 13h32
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