FIM DE UMA ERA
A nossa casa está em festa nos últimos dias. Ao que tudo indica Luísa terminou nessa semana o longo tratamento que fazia desde dois anos e meio para o estrabismo.
Apesar de nos preocuparmos muito com a questão estética, o maior problema do estrabismo é a redução da visão que ocorre no olho estrábico. Como meu marido teve o mesmo problema quando criança, fomos orientados a levá-la a um oftalmologista desde que completou um ano. O diagnóstico veio aos dois e meio: hipermetropia e estrabismo. E apesar de todo o avanço da medicina, nesta área a solução ainda é o bom e velho tratamento de tampar o olho que tem a visão cem por cento para forçar a criança a exercitar o outro olho. O sucesso do tratamento depende de um diagnóstico precoce, pois o tratamento só funciona na fase de desenvolvimento do nervo óptico, o que acontece até os sete, oito anos. Mas depende fundamentalmente de paciência e cooperação da criança, e muita perseverança dos pais.
Paciência e cooperação que a Luísa demonstrou. Apesar de sua vaidade, enfrentou os olhares curiosos de todos que a viam com o tampão na rua com galhardia. Enfrentou a caçoada inicial dos colegas, convencendo-os finalmente de que era legal ser uma pirata de tapa-olhos, a cada dia com um tampão colorido que combinava com sua roupa. Enfrentou o desconforto de ficar com um band-aid no olho por oito horas consecutivas diariamente na maior parte do tratamento. Tudo isto por cinco longos anos.
Perseverança que eu e o meu marido também demonstramos. Em insistir para que ela usasse e em enfrentar os momentos de recusa e cansaço. Em enfrentar os olhares dos outros e as frases como a dita por um frentista em certa ocaisão: "-Tadinha né? Tão bonitinha e não tem um olho".
Por tudo isto estamos todos muito felizes neste momento. Comemorando uma vitória coletiva. Que fez com que a nossa pequena recuperasse totalmente a visão de um olho.

Luísa, numa das poses com tampão aos quatro anos, Rodrigo aos seis meses e o papai orgulhoso




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