Blog da Macacada


PEQUENO ENGENHEIRO

Rodrigo ganhou uma caixinha dessas. Igual àquele que boa parte das pessoas da minha geração tinha quando pequena: bloquinhos com janelas, portas e torres de relógio desenhadas; outros blocos em forma de ponte, e outros triangulares para formarem os telhados.

 

Fui brincar com ele já ciente da minha parca criatividade. Eu sabia que iríamos construir um castelinho bem do sem-graça, porque eu não sei fazer nada muito diferente de empilhar as janelinhas em cima de uma ponte, colocar uma torre de relógio em cima e terminar a construção com o telhado. Nunca fui uma “pequena engenheira” brilhante.

 

Comecei a montar a base, empilhei mais uma fileira, e dei um bloco com as janelas desenhadas para ele colocar em cima das minhas. Imediatamente ele me devolveu e disse, em linguagem rodrigueana devidamente traduzida: - É meó ucê pô, mamãi. Eu não vô sabê. Vô derrubá tudo. (- É melhor você colocar mamãe. Eu não vou saber colocar. Vou derrubar tudo).

 

Devolvi novamente o bloco para ele e disse: - Filho, você consegue sim. É só colocar bem devagarzinho que não cai tudo não.

 

Ele aceitou meu desafio. Foi lá, e com a delicadeza possível para um menino de três anos, empilhou o bloquinho sem derrubar os demais.

 

E deu um sorriso de felicidade e excitação que encheu minha alma. Sorriso de quem descobre que é capaz, que pode sim conseguir vencer sozinho um desafio.

 

Pensei com meus botões que meu papel é esse mesmo. Ajudá-lo a construir seus castelos ao longo da vida. Sem empilhar os bloquinhos para ele. Apenas ficando ao lado e reforçando que ele pode sim aceitar os desafios porque é um menino capaz.



Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 19h32
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CONTOS DA MONTANHA

Adoro as lendas japonesas. Ao mesmo tempo em que todos os elementos das lendas e de muitos contos de fada ocidentais estejam lá, como a bruxa, a fada ou a esperteza da heroína, há uma delicadeza especial e personagens novos para apresentarmos às crianças como monges, mestres e discípulos ou samurais. E há também sabedoria, ética e alguns finais tristes que eu particularmente gosto, porque acho interessante que as crianças conheçam histórias fantásticas que não acabem necessariamente com "e foram felizes para sempre".

Como se tudo isso não bastasse, o fato de este ano marcar as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil é um bom momento para apresentarmos elementos dessa cultura para nossas crianças.

Luísa trouxe esse livro da biblioteca da escola. De autoria de Lucia Hiratsuka e editado pela Edições SM, ele contém três contos que possuem o cenário das montanhas do Japão como elemento comum. Já temos "Histórias Tecidas em Seda" da mesma autora e nos deliciamos com mais esse exemplar tão bonito.

É nas montanhas geladas que Minokichi se depara com Yukionna, a mulher da neve que não deixa voltar vivo para casa quem olha para ela, mas que resolve dar uma segunda chance a ele em troca da manutenção do fato em segredo.

No isolamento do vale entre as montanhas, por sua vez,  vive um povo amedrontado por um Oni, monstro terrível que seqüestra as mulheres da aldeia até que o samurai Raikoo consiga livrar o lugar do malfeitor com a ajuda dos presentes que ganha de um velho sábio habitante das montanhas.

E é também nas montanhas que acontece a história do aprendiz do mestre que resolve entrar na floresta para colher castanhas e tem de enfrentar a terrível bruxa Yamauba, famosa por comer crianças. Os amuletos que lhe foram dados pelo seu mestre o ajudam a voltar para o templo, onde ocorre o duelo final entre a bruxa e o mestre, que a vence graças a sua sabedoria e esperteza.

Para completar a delícia que é esse livro, há um glossário contendo o significado de algumas palavras japonesas que fazem parte das histórias e uma página falando sobre objetos e brincadeiras tradicionais do Japão.

A princípio imaginei que o livro fosse mais indicado para os maiorzinhos. Mas contei as histórias na hora do almoço das crianças, e Rodrigo interagiu e arregalou os olhinhos tanto quanto a Luísa. Considerando que eu também vibrei com os enredos, concluo então que é indicado para todas as idades.



Categoria: Olha só o que eu achei do livro
Escrito por Denise às 21h14
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