PEQUENO ENGENHEIRO
Rodrigo ganhou uma caixinha dessas. Igual àquele que boa parte das pessoas da minha geração tinha quando pequena: bloquinhos com janelas, portas e torres de relógio desenhadas; outros blocos em forma de ponte, e outros triangulares para formarem os telhados.
Fui brincar com ele já ciente da minha parca criatividade. Eu sabia que iríamos construir um castelinho bem do sem-graça, porque eu não sei fazer nada muito diferente de empilhar as janelinhas em cima de uma ponte, colocar uma torre de relógio em cima e terminar a construção com o telhado. Nunca fui uma “pequena engenheira” brilhante.
Comecei a montar a base, empilhei mais uma fileira, e dei um bloco com as janelas desenhadas para ele colocar em cima das minhas. Imediatamente ele me devolveu e disse, em linguagem rodrigueana devidamente traduzida: - É meó ucê pô, mamãi. Eu não vô sabê. Vô derrubá tudo. (- É melhor você colocar mamãe. Eu não vou saber colocar. Vou derrubar tudo).
Devolvi novamente o bloco para ele e disse: - Filho, você consegue sim. É só colocar bem devagarzinho que não cai tudo não.
Ele aceitou meu desafio. Foi lá, e com a delicadeza possível para um menino de três anos, empilhou o bloquinho sem derrubar os demais.
E deu um sorriso de felicidade e excitação que encheu minha alma. Sorriso de quem descobre que é capaz, que pode sim conseguir vencer sozinho um desafio.
Pensei com meus botões que meu papel é esse mesmo. Ajudá-lo a construir seus castelos ao longo da vida. Sem empilhar os bloquinhos para ele. Apenas ficando ao lado e reforçando que ele pode sim aceitar os desafios porque é um menino capaz.




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