CÉU SEM BRILHO
Adoro morar em cidade grande. Podem falar mal do trânsito, da violência, da poluição, mas o fato é que gosto de criar meus filhos em São Paulo. Aqui tem uma diversidade cultural, gastronômica, étnica como nenhuma outra cidade do Brasil tem. Adoro o mar de gente dessa cidade, que te permite passar incólume no meio da multidão por mais estranha que sua aparência possa parecer aos olhos dos outros. Esse respeito pela individualidade e pela privacidade do outro, que para muitos pode parecer frieza ou falta de solidariedade, a mim me encanta.
Mas não dá para negar que o nosso céu é muito do sem graça. Que nossas crianças podem crescer aqui sem ter visto uma única estrela na vida. Estou falando de estrela de verdade, porque afinal temos um planetário maravilhoso no Parque do Ibirapuera onde dá para ver o mais estrelados dos céus sempre que quisermos. Nem precisa estar de noite para isso.
Um espetáculo lindo certamente, mas ainda assim diferente de deitar no chão com as crianças e ficar horas olhando para as estrelas. Apontando para as Três Marias, achando o Cruzeiro do Sul e fazendo pedidos para as estrelas supostamente cadentes. Fizemos isto todos os dias lá em João Pessoa, nas nossas férias no final do ano passado. Rodrigo, que nunca tinha pensado muito no assunto, ficou encantado com aquele céu brilhante, cheio de pontinhos brancos luminosos.
Mas por aqui, por conta do excesso de luzes e da poluição, o único pontinho brilhante que a gente costuma ver no céu é aquele vermelho, das luzes dos aviões.
Aproveitando que domingo é aniversário dessa cidade onde nasci e onde adoro estar com meus filhos, fica aqui o meu desejo. De que algum dia eu possa deitar na varanda do meu apartamento e fazer desejos para as estrelas cadentes que verei no céu.





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