Blog da Macacada


 
 

MEU PRIMEIRO LAROUSSE ENCICLOPÉDIA

Assim como acontece com brinquedos, muitas vezes as crianças não ligam muito para um determinado livro e o deixam ali encostado. Aí depois de um tempo, parece que o redescobrem.

 

Há uns dois anos Luluca ganhou de aniversário o livro “Meu primeiro Larousse Enciclopédia”. Conhecendo sua curiosidade, achei que ela ia adorar o livro. Mas ela literalmente o deixou de lado. Talvez porque ainda não sabia ler e realmente não tem tanta graça ouvir uma enciclopédia de ciências sendo narrada por outra pessoa.

 

Mas neste ano ela redescobriu o livro. Fica sentadinha num canto um tempão entretida com os conhecimentos gerais que ele esconde. O livro parece mesmo ser ótimo para esta fase em que a criança já tem mais intimidade com a leitura, mas ainda prefere textos simples, curtos e com imagens.

 

No dia em que a vi pela primeira vez absorvida na leitura, perguntei o que ela estava lendo e ela veio me mostrar, contando sobre as teorias existentes sobre a extinção dos dinossauros. E emendou com a seguinte frase: - Não vejo a hora de chegar na página que fala sobre o nascimento!

 

Confesso que engoli seco. E retruquei: -Por que? E respirando aliviada, ouvia a resposta: -Porque as fotos do bebê na barriga desta página são muito legais, olha só!

 

Olhei a página. Ela começa com o desenho de um espermatozóide e um óvulo e diz que é preciso de um homem e de uma mulher para fazer um bebê. E acaba a história por aí, respeitando devidamente o posicionamento de cada família e falando sobre a gravidez e o nascimento.

 

O meu posicionamento nem é conservador em relação ao tema. Sou fruto de uma geração bastante liberal, ganhei “De onde vêm os bebês” aos 7 anos e sempre tive muita liberdade para falar sobre sexo com meus pais. Mas sinto um aperto no peito quando penso em explicar essas coisas para a filhota. É como se aquela inocência que os faz acreditar em bebês que vem do céu para a barriga da mamãe, velhinhos que entregam presentes ou coelhos que trazem ovos de chocolate definitivamente chegasse ao fim. Talvez por isto eu nem pense em tomar a iniciativa de lhes dar um livro, como fez minha mãe. Jamais me negarei a responder às suas perguntas sobre o tema, mas espero sempre na medida da curiosidade deles no momento. Sem mentira, mas sem adiantar nada.

 

O livro, “Mamãe botou um ovo”, que é divertidíssimo e instrutivo já está comprado. E guardado para quando a curiosidade efetivamente chegar e ver a pergunta: -Como é que se fazem os bebês?



Categoria: Olha só o que eu achei do livro
Escrito por Denise às 14h41
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UMA NOVA DIMENSÃO PARA O TEMPO

Dentre as inúmeras coisas que os filhos nos ensinam, gosto particularmente do aprendizado que tenho com eles sobre a maneira como utilizamos nosso tempo. A maioria dos adultos acha que tempo bem gasto é aquele em que estamos absorvendo algum tipo de conteúdo. Sempre fui uma pessoa contemplativa, mas como ao mesmo tempo sou também irriquieta, acho que até ter filhos eu também pensava assim.

 

Mas aí eles vêm e nos ensinam.

 

Rodrigo anda conversando sobre pássaros e nomes de pássaros nas suas aulas de música. Anda encantando com a música Passaredo, de Chico Buarque, que eu adorava quando criança e que mostrei para ele.

 

Como lá em casa tem muito bem-te-vi, no final de semana ficamos de ouvidos atentos para que ele pudesse aprender seu canto. E fomos para a varanda para ver se achávamos os bem-te-vis. Achamos vários. E ficamos quase uma hora observando as árvores em volta do nosso prédio e prestando atenção nos passarinhos. Além dos bem-te-vis, vimos um beija-flor azul turquesa que chegou bem pertinho da nossa varanda e um pássaro com a barriga laranja que comia a semente de uma flor da árvore que fica na calçada do nosso prédio. Ou melhor, como bem disse o Rodrigo, ele estava lá “pelo pólen mamãe!”.

Reparei em árvores e flores que tenho na vizinhança que eu nunca tinha visto. Senti o vento no meu rosto, vi como os passarinhos passam de um galho para o outro, onde fazem ninho, e fiquei ali, aconchegada ao meu pequeno, apenas contemplando. Foi uma das horas mais bem gastas dos meus últimos meses.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 18h31
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