A CONSULTA DOS 8 ANOS
Recentemente levei os dois pequenos para a consulta anual de rotina na pediatra. Foi uma consulta bem diferente das demais.
A pediatra dirigiu a consulta à Luísa. Falou com ela e para ela. Eu e o pai ficamos apenas escutando e aprendendo tudo a partir do diálogo entre as duas.
Essa passagem da minha pequena, de coadjuvante à protagonista na consulta, foi para mim mais um daqueles momentos em que me questiono quando foi que ela cresceu tanto e tão rapidamente que eu não percebi.
Depois de perguntar a ela se estava tudo bem, se ela não tinha nenhuma queixa de dores físicas, a conversa enveredou para as mudanças que estão por vir no seu corpo. Primeiro o aparecimento de um botão mamário, depois o outro. Pêlos pubianos, desenvolvimento dos seios e menstruação. Não acontecerá já, mas ela explicou que há três grupos de meninas: as que começam a apresentar este desenvolvimento aos 9 e menstruam por volta dos 11; as que começam o processo entre os 10, 11 anos e menstruam por volta dos 13; e as que começam lá pelos 12 e menstruam por volta dos 15 anos (que foi o meu caso).
Mostrou estas mudanças em um livro com desenhos e disse que a partir do primeiro sinal de desenvolvimento, suas consultas passariam a ser semestrais, para que ela pudesse avaliar se o processo de desenvolvimento segue o curso esperado.
Depois, fez uma sessão de perguntas, que ela deveria responder usando duas possibilidades: fácil ou difícil. Estar na escola, relacionar-se com a professora, estar com a mãe, com o pai, relacionar-se com os meninos e com as meninas. Quase todas as perguntas tiveram fácil como resposta, à exceção do relacionamento com os meninos, considerado difícil e com as meninas, considerado mais ou menos fácil. Segundo a pediatra, todas estas respostas estão absolutamente dentro do esperado para a idade.
Aconselhou-a para que converse conosco sempre que achar que as meninas disseram algo que a tenha deixado magoada ou chateada, coisa muito comum de acontecer nessa fase. E disse que ela deveria cuidar para que três regrinhas fossem respeitadas: alimentar-se direitinho (coisa que ela já faz na escola); fazer pelo menos uma brincadeira ao longo do dia que envolva mexer o corpo; e deitar-se antes das 22 horas. Seguindo estas três regras, ela teria sempre uma pele e um cabelo lindos (conselho que eu particularmente adorei, pois tornou a minha tarefa de colocá-la para dormir bem mais simples desde então, atestando a máxima de que a vaidade feminina é mesmo poderosíssima).
Por fim, examinou-a. Não mais como uma menininha, mas como uma quase pré-adolescente. Com lençol cobrindo-a.
Adorei o jeito respeitoso e carinhoso com que ela foi tratada. Mas confesso que não tinha ainda me dado conta do quão próximo estamos de termos uma mocinha e não mais uma menininha em casa.