NOVA GERAÇÃO
Durante as férias eu costumava repassar o calendário de atividades previstas para a semana divulgado pela escola, e perguntar para o Rodrigo como tinha sido cada uma daquelas brincadeiras listadas ali, quando chegávamos em casa à noite.
Como o Rodrigo é mais calado que a Luísa ou melhor dizendo, menos falante, essa foi uma das formas que encontrei para conhecer um pouco mais do dia-a-dia dele. Se eu perguntasse apenas “o que você fez hoje?”, certamente receberia uma resposta do tipo: -Não lembro (ao contrário da Luísa que sempre contou tudo nos mínimos detalhes sobre o seu dia).
Num desses dias, ele resolveu me explicar como se brincava de “caça ao tênis”. Fez duas filas de bichos e dinossauros e foi mostrando como o primeiro tinha de correr até a pilha de tênis, achar o seu, calçar, voltar correndo, bater na mão do amigo e ir para o fim da fila.
Quando ele já tinha demonstrado a brincadeira para metade da fila, eu, que já tinha aprendido como era, sugeri que fôssemos tomar banho. Ele então soltou:
- Ta bom. Vou dar um stop na brincadeira, e depois do banho a gente termina.
Nada como uma geração que cresce com DVDs e vídeos no computador. Dá para dar um stop na brincadeira e retomar mais tarde. Simples assim.





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