HORA DA VERDADE
Chega um dia na vida dos pais em que seus filhos fazem a famosa pergunta: - Mãe, como é que são feitos os bebês?
O meu foi ontem. Luísa perguntou como é que a mulher fica grávida. Respondi que toda mulher tem algumas células chamadas óvulos. Quando uma destas células se junta ao espermatozóide, que vem do pai, a célula se desenvolve, formando o bebê.
Continuando a conversa, ela perguntou: -Como é que o pai faz para colocar o espermatozóide no corpo da mãe?
Peguei então o maravilhoso livro “Mamãe botou um ovo” de Babette Colle, nos sentamos calmamente e lemos juntas. Na história, um casal de irmãos faz esta pergunta aos pais. E eles respondem as coisas mais disparatadas, como por exemplo, “plantamos uma árvore de bebês e vocês brotaram dela”. Depois de várias destas respostas esdrúxulas, os filhos caem na gargalhada e dizem que, pelo jeito os pais não sabem, e que eles vão desenhar para eles como isso acontece. Aí contam, através dos desenhos, que a mamãe tem ovos dentro da barriga e o papai tem sementes nos saquinhos que ficam fora do seu corpo. O papai tem um tubo. As sementes que estão nos saquinhos saem por ali. O papai encaixa na mamãe e o tubo entra na barriga dela por um pequeno buraco. Então os meninos desenham várias formas que os adultos usam para se encaixarem (esta é a parte que eu acho melhor. É didática, acessível às crianças e explica tudo em três ou quatro desenhos). Começa então a corrida dos espermatozóides. Quando um deles ganha, os bebês começam a ser formados. A mamãe vai ficando mais e mais gorda, o bebê maior e maior ainda, até que sai da barriga.
Ao terminarmos a leitura, Luísa perguntou novamente sobre o encaixe dos corpos, que eu expliquei e denominei de “fazer sexo”. Pensou um pouco e seguiu-se o seguinte diálogo:
- Será que eu posso ficar grávida sem fazer sexo?
- Não minha filha, não pode. Por que?
- Ah, mãe, porque eu achei meio nojento. Acho que nunca vou ter vontade.
-Não é nojento não minha filha. É gostoso. E a gente só tem vontade mesmo depois que cresce. Quando somos crianças não dá mesmo a menor vontade.
Encerramos então mais esse capítulo em nossas vidinhas juntas. Foi bem mais fácil do que eu esperava. Graças à excelente ajuda que tive da Babette Colle.