Blog da Macacada


 
 

SUSTO NO PARQUINHO

Há três semanas resolvemos conhecer a praça que foi construída onde caiu o avião da Tam, em frente ao aeroporto de Congonhas. Fomos a pé, apesar da caminhada longa, para aproveitar a manhã de domingo ensolarado.

A praça, ou memorial como acho que é até mais adequado chamar, tem um espaço grande de concreto e alguns brinquedos. Dois tipos de brinquedo na verdade. Um trepa trepa e um gira gira. Mas não são brinquedos comuns. Foram projetados por arquitetos e executados por engenheiros metidos a moderninhos.

O gira gira fica no nível do solo. Alguém de fora gira e ajuda a criança, que fica em pé, segurando-se num corrimão.

Rodrigo estava lá girando até que resolveu "brecar" e sair do brinquedo. Que mal projetado, tem um espaço entre o círculo que gira e o concreto super estreito. Desfecho: o pé do Rodrigo ficou preso entre a roda e o concreto te tal forma que foram preciso três pessoas para conseguir soltá-lo. Da metade do pé até os dedos formaram-se vários hematomas, um inchaço enorme e uma fratura no osso que liga um dos dedos ao peito do pé.

Detalhe sórdido: depois que o Rodrigo se machucou, o guarda que tomava conta do local veio me falar que ele era a oitava criança a se machucar ali. O lugar foi inaugurado cinco dias antes, e nesse curto período 8 crianças se machucaram no brinquedo! E além do brinquedo não ter sido interditado, o guarda, negligente ou incompetente, não resolveu utilizar o seu precioso tempo para avisar os pais que chegavam do risco que as crianças que utilizavam o brinquedo corriam. O meu filho não estava usando o brinquedo de forma inadequada ou perigosa. Fez o que qualquer outra criança faria. E em nenhum momento fomos avisados que outros já tinham se machucado ali antes.

Nem preciso dizer que ele chorou muito e que passou muita dor. Levamos correndo para o hospital. Ficou a primeira semana em casa, imóvel sem conseguir colocar o pé no chão. Foi dar seus primeiros passinhos apenas na metade da semana seguinte. Agora está com uma bota imobilizadora já de volta à escola. Mas provavelmente só volta à vida "quase normal", como ele mesmo diz, um mês depois do acidente.

Eu senti o que toda mãe sente nessas horas. A sensação de que os segundos parecem intermináveis enquanto consolava o menino e tentava esconder a minha cara de pavor (por sorte eu sou bem tranquila e tenho muito senso prático nesses momentos). Um fundinho de culpa, por ter sido a idealizadora do passeio (mesmo sabendo que acidentes acontecem em todo lugar, e que não foi culpa nossa e nem dele, é inevitável pensar que poderíamos ter ficado em casa e evitado o acidente). E alívio quando constatei que tinha sido grave, mas que ele não teria maiores sequelas.

Ciente de que o que aconteceu não foi uma fatalidade, mas negligência do setor público (que não fiscalizou e não interditou o brinquedo), escrevi para os jornais, avisei os amigos nas redes sociais e dei entrevista para o rádio (e deixo aqui o agradecimento à amiga que me ajudou a divulgar para a rádio o que tinha acontecido). Segundo notícia publicada no jornal Metro, o brinquedo foi consertado. Não pretendo voltar tão cedo ao local para conferir, mas realmente espero que nenhuma criança se machuque naquele lugar. Acho que ele já tem tragédias suficientes em sua história.



Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 14h45
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CONHECENDO A NEVE

Aproveitamos as férias escolares e levamos as crianças para conhecerem a neve (e eu aproveitei a oportunidade para fazer o mesmo). Fomos para Santiago, no Chile. Como era nosso primeiro contato, não quisemos passar vários dias numa estação de esqui. Fiquei com medo de que todos achassem o programa chato e não tinha a menor ideia se as crianças e nós curtiríamos esquiar. Optamos por conhecer Santiago e ir um ou dois dias, conforme o ritmo da viagem ditasse, para as montanhas para brincar na neve. As crianças amaram a neve, mas ainda acho que o roteiro como um todo foi bem divertido e que ter ido para Santiago foi uma boa escolha. Peguei várias dicas no blog do Ric Freire e também no blog da Cinthia.

Pela segunda vez (a primeira foi numa viagem a NY que fiz só em companhia do maridão no final de abril) fiz um roteiro de viagem, com os passeios que faríamos dia a dia. Gostei muito e funcionou muito bem. Acho que se você não levar o roteiro ao pé da letra, não encará-lo como algo rígido, que não pode ser mudado, ele ajuda muito no planejamento da viagem. No nosso caso, acabamos seguindo o roteiro direitinho, não mudamos nada.

Ficamos 6 dias em Santiago. Chegamos numa quarta-feira e fomos embora na terça-feira da semana seguinte. Se for possível, o ideal é se programar para não estar em Santiago na segunda-feira, porque todos os museus estão fechados nesse dia, inclusive as casas do Pablo Neruda fora da cidade. Para esse dia o melhor mesmo é ir para uma estação de esqui. Mas como chegamos na quarta-feira, eu não consegui conter os ânimos da criançada e deixar para conhecer a neve no último dia antes de virmos embora.

Vou fazer uma descrição de cada dia, e assim já vou dando as dicas que colhi e o que mais funcionou conosco. De forma geral adoramos a cidade e os passeios que fizemos no entorno. E eu me surpreendi com as crianças. Eles realmente estão se transformando em companheiros de viagem muito legais. Toparam todos os programas, não ficaram entediados em nenhum, andaram muito, encararam metrô e rodoviária lotada numa boa e brigaram muito pouco. E os dois curtiram muito a coisa da viagem internacional, de conviverem com outra língua e outros costumes. Acho que eles se sentiram mais viajantes dessa vez do que na Disney.

O voo foi bem tranquilo tanto na ida quanto na volta. São 4 horas de São Paulo a Santiago. Voamos com a Lan e não tivemos nenhum problema. Como a dupla já é grandinha, não tenho mais que entreter ninguém e nem levar brinquedos e que tais. Ficamos hospedados no Holiday Inn Express. Fiz a reserva através da Hoteis.com. O quarto do hotel era bastante confortável e achei bem localizado. Próximo a dois shoppings, a umas quatro ou cinco quadras de uma estação do metrô e com um bom café da manhã. Recomendo. O único senão é que não tinha serviço de quarto. Não nos atrapalhou, mas pedir comida no quarto pode ser uma boa para quem viaja com crianças.

Com exceção da visita à vinícola Matetic e à Isla Negra, que foram combinadas num passeio guiado que eu reservei daqui com a Enotour, fizemos todos os demais passeios por nossa conta. Usamos metrô e ônibus intermunicipal e foi tudo bem tranquilo. Talvez em Valparaíso e Viña del Mar tivesse sido interessante comprarmos um passeio guiado. Ficamos meio perdidinhos uma boa parte do tempo, mas nada muito grave também.

Estava bem frio, mas as roupas que levamos daqui deram conta. Comprei blusas de fleece, cachecol, gorro e luvas para as crianças. Isso mais os seus casacos funcionaram bem. Para a neve, alugamos as roupas. Como o passeio teve a duração de um dia só, achei que não fazia sentido comprar. Para quem for ficar vários dias numa estação de esqui, talvez compense.

Primeiro dia: para nos aclimatarmos, escolhemos passear por Santiago na quinta-feira. Depois de localizarmos a estação de metrô mais próxima e acharmos o caminho, fomos ao Cerro San Cristóbal. Conhecemos o zoológico e subimos no funicular até o topo, para vermos a vista da cidade e da Cordilheira dos Andes. Estava muito frio nesse dia. Mesmo com luvas, gorro e blusa térmica, as crianças penaram um pouquinho, embora tenham gostado do passeio. Depois descemos e almoçamos no Pátio Bellavista, que é uma galeria com vários restaurantes e lojas de artesanato. De lá fomos visitar a casa do Pablo Neruda em Santiago. A casa museu chama-se La Chascona, que significa “a descabelada” que era como Neruda chamava a amante e última companheira de sua vida, Matilde. A visita é guiada e feita em pequenos grupos. Pegamos um guia muito bacana. Conhecer as casas do Pablo Neruda é um esporte popular no Chile. Nós visitamos todas elas. Como Neruda era um sujeito boêmio e grande colecionador e o passeio envolve conhecer uma casa, as crianças curtiram bem. Ficaram interessadas, olharam tudo e comentaram depois. De lá eles quiseram tentar ir no Museu da Moda, mas quando chegamos lá estava fechado. Acabamos pegando um táxi e indo jantar no Shopping Parque Arauco. Lá tem uma loja chamada Casa Ideas que tem coisinhas super fofas para as crianças (não fizemos grandes compras. Compramos chocolate, alguns brinquedos para as crianças, coisinhas de museus e artesanato). Como estava muito frio, fazíamos tudo na rua e voltávamos para o hotel depois de jantarmos, só para descansar e dormir.

Segundo dia: dia de conhecer a neve! Pegamos o metrô e fomos para a Ski Total. Lá alugamos roupas (botas, luvas, macacões para as crianças e calças para nós) e comprarmos o transporte. Eles nos levaram em um micro ônibus até El Colorado, que é a estação de esqui mais próxima da cidade. Infelizmente Farrellones, que parecia ser mais divertido para quem só pretendia brincar na neve, estava fechada. As crianças não quiseram esquiar. Nosso dia foi mesmo apenas para fazer farofa na neve. E nos comportamos com maestria! As crianças fizeram esquibunda e desceram a montanha escorregando de costas e de peito várias vezes. Fizeram guerra de neve, tentaram montar boneco. Até comer neve comeram! Almoçamos num restaurante por lá mesmo e voltamos no final do dia. Pegamos o metrô para casa e jantamos num Pizza Hut que encontramos no caminho entre a estação de metrô e o hotel. As crianças curtiram muito. Tinha aquele brilhinho de felicidade nos olhos deles. Eu adorei ver uma montanha de neve. É uma paisagem muito diferente da nossa. Realmente uma experiência legal. Mas ainda tenho dúvidas se gostaria de ter ficado vários dias isolada numa estação de esqui. Pode ser que a sensação de esquiar seja fantástica e que isso ocupe seu dia de tal maneira, que valha a pena; mas eu achei que eu ficaria um pouco entediada. E a sensação de frio, mesmo com luva, gorro, cachecol e roupa térmica é muito grande. Essa coisa de ter de se paramentar toda para sair na rua acho que me irritaria um pouco. Enfim, as crianças disseram que adorariam fazer uma viagem só para esquiar, eu não fiquei com muita vontade de programar férias exclusivas em estação de esqui.

Terceiro dia: fomos a Valparaíso e Viña del Mar. Pegamos o metrô até à rodoviária e fomos de ônibus. A chegada foi meio confusa porque você chega na rodoviária de Valparaíso, que fica distante dos pontos turísticos. Na verdade não fica muito longe dos ascensores que levam aos cafés e às lojinhas, mas fica longe do museu casa de Neruda (La Sebastiana). Nós achamos que podíamos pegar um metrô e ir andando até a casa, mas tivemos de andar muito, muito mesmo. Foi um momento de mal-humor coletivo inclusive. Mas a casa museu é bem bacana. Tem uma vista super bonita da cidade lá embaixo e tem um áudio guia em português que encantou as crianças (e apesar do Rodrigo não pagar entrada, paguei para que ele tivesse acesso ao áudio guia, que ele amou). Tivemos a sorte de encontrar um táxi bem na porta do museu e ele nos levou ao excelente Pasta e Vino, já perto do bochicho. Almoçamos divinamente. Depois passeamos pelas lojinhas e descemos de ascensor. Pegamos o metrô e fomos para Viña del Mar. Fomos até o relógio das flores, vimos o pôr do sol no Oceano Pacífico, mas não foi um grande passeio. Estávamos cansados já e tivemos de andar muito para chegarmos na praia. Não tivemos muita paciência para procurar os outros pontos turísticos. Procuramos a rodoviária e trocamos nossas passagens. Voltamos para Santiago de lá (quem for fazer o passeio para as duas cidades, acho que vale a pena comprar a volta saindo de Viña mesmo. Não tive nenhum problema para trocar a passagem, mas acho que facilita já comprar certinho). Paramos num McDonalds ao lado do metrô e voltamos para o hotel para descansar.

Quarto dia: foi o dia da moleza. Carro com guia motorista nos esperando na porta! Reservei com a Enotour um passeio que incluía uma visita à uma vinícola pela manhã e à Isla Negra para conhecer a terceira e mais bonita casa do Pablo Neruda à tarde. Fomos à vinícola Matetic, que fabrica vinhos orgânicos. Fizemos um tour guiado particular e as crianças adoraram entrar na sala das barricas. De lá fomos almoçar numa cidade de praia deliciosa. Comemos um peixe divino! E à tarde fomos ao museu. O dia estava ensolarado e foi uma ótima pausa para os passeios que envolviam grandes caminhadas. Na volta pedimos para o nosso guia nos deixar num shopping próximo ao hotel. Jantamos e voltamos caminhando.

Quinto dia: fomos passear no centro de Santiago. Pulamos o mercado central e fomos conhecer o prédio dos correios, a catedral e o Palácio de la Moneda. Era segunda-feira e os museus estavam todos fechados. Mas a fundação do Palácio de la Moneda estava aberta e com um pedaço da coleção do museu de arte pré colombina (que está fechado até o próximo ano para reformas). Depois fomos ao Cerro de Santa Lucia. Lá tem uma fonte que dizem que atende nossos desejos. As crianças jogaram suas moedinhas. De lá pegamos um táxi e fomos para o parque bicentenário. Almoçamos no ótimo Mestizo. As crianças brincaram no playground do parque e fomos caminhar um pouco pela “Oscar Freire” chilena. De lá voltamos caminhando até o hotel.

Sexto dia: dia de voltar pra casa. Nosso voo só sairia às 14hs, então acordamos cedo e fomos conhecer o parque das esculturas. É um parque com esculturas de artistas chilenos conhecidos bem bonito. As crianças se divertiram e tiraram fotos posando junto de todas as estátuas. Voltamos, pegamos as malas e pegamos um táxi rumo ao aeroporto.

Alguns momentos: em El Colorado conhecendo a neve; na casa do Neruda em Isla Negra; na casa do Neruda em Valparaíso; e no Zoológico de Santiago.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 13h58
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VOLTANDO À ATIVA

Ando super em falta com meus relatos das macaquices.

Tenho tido vontade de escrever um montão de coisas sobre os dois e suas diferentes fases. Também quero contar da viagem ao Chile que fizemos nas férias de julho, de alguns passeios que fiz com eles...

Então resolvi espantar a preguiça e voltar a escrever.

Luísa está numa fase que eu tenho gostado muito. Divertida, boa companhia, cheia das opiniões e vontade de debater as coisas. E nós duas estamos numa fase ótima da nossa relação também. Está sendo mais fácil ser mãe dela. Não sei nem se não é melhor falar isso bem baixinho, porque já já ela entra na adolescência e eu não tenho a menor ideia de como vai ser.

Rodrigo está na fase de descobrir as letras, as palavras e de perguntar os porques de tudo. E tem sido bom e divertido também. Longe de me causar uma sensação de dejá vu, percebo mesmo que cada criança é única. Ele não é argumentativo e desafiador como a Luísa era. É doce e carinhoso. Tem tiradas divertidíssimas. É bom poder saciar a curiosidade dele.

E somando os dois, vejo que é muito bom ser mãe de crianças mais velhas. Recuperei boa parte de um tempo só para mim. Para ler, ver um filme, fazer nada, cochilar. Sem crianças que demandam companhia e atenção o tempo todo. Que já brincam sozinhas (e mesmo quando brincam juntas, não pedem um adulto por perto). Percebo também que o terceiro ser ainda se manifesta, mas com mais maturidade e calma.

Enfim, tem sido bastante proveitoso e prazeroso.



Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 13h05
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