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Coisas de Luluca
INÍCIO DA TRANSFORMAÇÃO
Luísa está estudando a metamorfose da borboleta nas aulas de ciências. Do alto de sua sabedoria infantil, disse outro dia que as pessoas também passam por uma metamorfose entre a fase em que são crianças e aquela em que se transformam em adultos. A metamorfose dela já começou. Outro dia ela corria pela casa brincando de pega-pega com o irmão. Tudo como sempre. Brincadeira de criança, risada de criança, correria de criança. Mas de repente, senti um cheiro novo. Que criança não tem quando corre. Suor com cheiro. Chamei-a para perto, para ter certeza que não estava sendo enganada pelo meu olfato. E ela confirmou: "-Ah, já faz tempo que eu ando ficando bem fedidinha depois da aula de ballet!" No dia seguinte liguei para a pediatra. Para saber se existe desodorante para criança de 8 anos. Para, no fundo, saber como é que pode um ser crescer assim tão rápido? Ser uma pupa prestes a virar borboleta já? Cadê a larvinha que estava aqui até ontem? Desodorante para criança com dermatite atópica se compra em loja especializada para alérgicos. Menina que já apresenta cheiro de suor passa a frequentar a pediatra semestralmente, para que esse crescimento seja monitorado. Mãe de pupa que está virando borboleta tem de olhar para frente com alegria. Borboleta não cabe no colo como a larva. Mas voa por aí com suas próprias asas. E, de outra forma, vai encher a minha vida de felicidade. Porque não dá para esperar outra coisa da vida. Como ela bem lembrou, seres humanos também passam pela metamorfose.
Escrito por Denise às 19h04
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COZINHA EM FAMÍLIA Neste ano o tema da feira cultural da escola era a diversidade. A turma da Luísa trabalhou o tema através da gastronomia. A partir do mote "não existe comida ruim, mas comida diferente", eles foram divididos em grupo. Cada grupo ficou responsável por um país, sendo que a divisão tentou respeitar o parentesco de cada um. Como em São Paulo quase todo mundo é filho, neto ou bisneto de imigrante não foi uma tarefa tão complexa assim. Luísa ficou no grupo da Espanha. Coletamos várias informações sobre o país e mostrei fotos para ela da viagem que fiz para lá. Mas pensando em como ajudá-la, tive a idéia de fazermos uma paella. Avó (a única espanhola legítima dentre as três), mãe e neta divertiram-se muito na cozinha num domingo por conta disso. Nossa paella foi mais simples. Tinha apenas frango e camarão. Mas ficou deliciosa mesmo assim, como bem mostram as imagens a seguir.  
Os primeiros ingredientes vão para panela. Frango, pimentão, cebola (detalhe para o avental típico)...  
Camarão, açafrão e arroz. 
Deixa pegar bem o gostinho (detalhe para a pose das espanholas) e secar a água... 
E tcham! Aqui está ela prontinha... 
e aprovadíssima! A turma e a professora adoraram o resultado. As fotos transformaram-se num cartaz, que foi exposto no dia da Feira. Ao centro ela acrescentou a receita.  Precisamos agora repetir a dose para atender aos pedidos dos amigos e professores. Ficou todo mundo com água na boca querendo provar também.
Escrito por Denise às 21h30
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HORA DA VERDADE
Chega um dia na vida dos pais em que seus filhos fazem a famosa pergunta: - Mãe, como é que são feitos os bebês? O meu foi ontem. Luísa perguntou como é que a mulher fica grávida. Respondi que toda mulher tem algumas células chamadas óvulos. Quando uma destas células se junta ao espermatozóide, que vem do pai, a célula se desenvolve, formando o bebê. Continuando a conversa, ela perguntou: -Como é que o pai faz para colocar o espermatozóide no corpo da mãe? Peguei então o maravilhoso livro “Mamãe botou um ovo” de Babette Colle, nos sentamos calmamente e lemos juntas. Na história, um casal de irmãos faz esta pergunta aos pais. E eles respondem as coisas mais disparatadas, como por exemplo, “plantamos uma árvore de bebês e vocês brotaram dela”. Depois de várias destas respostas esdrúxulas, os filhos caem na gargalhada e dizem que, pelo jeito os pais não sabem, e que eles vão desenhar para eles como isso acontece. Aí contam, através dos desenhos, que a mamãe tem ovos dentro da barriga e o papai tem sementes nos saquinhos que ficam fora do seu corpo. O papai tem um tubo. As sementes que estão nos saquinhos saem por ali. O papai encaixa na mamãe e o tubo entra na barriga dela por um pequeno buraco. Então os meninos desenham várias formas que os adultos usam para se encaixarem (esta é a parte que eu acho melhor. É didática, acessível às crianças e explica tudo em três ou quatro desenhos). Começa então a corrida dos espermatozóides. Quando um deles ganha, os bebês começam a ser formados. A mamãe vai ficando mais e mais gorda, o bebê maior e maior ainda, até que sai da barriga. Ao terminarmos a leitura, Luísa perguntou novamente sobre o encaixe dos corpos, que eu expliquei e denominei de “fazer sexo”. Pensou um pouco e seguiu-se o seguinte diálogo: - Será que eu posso ficar grávida sem fazer sexo? - Não minha filha, não pode. Por que? - Ah, mãe, porque eu achei meio nojento. Acho que nunca vou ter vontade. -Não é nojento não minha filha. É gostoso. E a gente só tem vontade mesmo depois que cresce. Quando somos crianças não dá mesmo a menor vontade. Encerramos então mais esse capítulo em nossas vidinhas juntas. Foi bem mais fácil do que eu esperava. Graças à excelente ajuda que tive da Babette Colle.
Escrito por Denise às 10h05
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GOSTOS OPOSTOS
Ontem fui às compras só com a Luísa. Comprar uma roupa para ela e uma blusa para mim, que usaremos na festa de aniversário do irmão. É uma delícia fazer compras só com ela. Mesmo com toda a impaciência característica de uma criança de 8 anos, ela não se importa em bater perna na busca por um sapato em várias lojas ou em experimentar vários modelos de vestidos antes da escolha definitiva. Uma típica mulherzinha em formação. Mas o que me chamou atenção ontem foi outra coisa. Depois de experimentar vários vestidos, ela ficou em dúvida entre dois. Gostou mais de um e eu mais do outro. Levou o que ela gostou mais. Da mesma forma, fiquei em dúvida entre duas blusas. Ela gostou mais de uma e eu de outra. Levei a que eu gostei mais. Temos exatamente o mesmo jeito determinado de ser. Sempre me questiono sobre as razões que me fazem pedir a opinião dos outros quando estou comprando roupas. Porque independentemente dessas opiniões, eu sempre levo aquela que eu gostei mais. Igualzinho ao que ela fez ontem comigo. Mas apesar da determinação em comum, ao que parece nossos gostos serão opostos.
Escrito por Denise às 13h43
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AGENDA CHEIA
Dia desses eu estava arrumando a bagunça que as crianças fizeram no quarto de TV e dou de cara com uma folha de papel sulfite com a seguinte programação: 8:00- Agendar 9:00- Mi arrumar 10:00- Sra. Hunt discutir conceito do projeto 11:00- Sr. Bentley - almoço particular 12:00- Reunião (de meia hora) 12:30- Descanso 13:00- Marcinha 17:00- Ingrid 17:30- Gui Ingrid é a Gui, filha da Tati e Gui é o Guilherme, filho da Marcinha. Depois que eu perguntei, ela disse que o sr. Bentley e a sra. Hunt foram retirados de um livro dela. Mas na hora eu quase morri de rir da agenda atribuladíssima da minha jovem executiva.
Escrito por Denise às 20h06
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PAPÉIS CONCILIÁVEIS
Luluca recebeu o convite de uma amiguinha para passar três dias num hotel. Adorou, ajudou a arrumar as malas e tudo. Mas antes de sair caiu num choro sentido. Dizendo que ia sentir muitas saudades do irmão e de mim. O passeio começou ontem e durará até sábado. Fiquei desconcertada. Porque sei da relação especial que ela tem com o pai e acho que esperava que tais saudades fossem dedicadas a ele primordialmente e ao irmão em seguida. Além disso, sei que sou uma mãe linha dura. Que cobra, briga, dá bronca, pega no pé. Achava que estas duas características juntas me qualificavam para o fim dessa fila das saudades. Ao mesmo tempo, lá no íntimo fiquei orgulhosa. Não demonstrei. Ao contrário, disse que ela iria se divertir muito com a amiga, que nós fazemos companhia para ela sempre, mas que oportunidades como essa aparecem só de vez em quando e dei a ela o número do meu celular num papelzinho, para que ela pudesse conversar comigo e matar as saudades se quisesse (coisa que, como eu esperava, não aconteceu até o momento). Meu orgulho não foi algo associado à vaidade por ter passado na frente desta fila. Mas porque sempre achei que o meu compromisso com ela é o de ajudá-la no processo de formação de seu caráter, apontando caminhos que julgo certos e errados e, sobretudo, contendo seu desejo de fazer tudo o que quiser (a dura e difícil tarefa da tal imposição de limites, já que conviver bem em sociedade significa respeitar as regras aceitas pela maioria). Isso para mim sempre foi mais importante do que ser popular. Ser a "mãe chata que diz não" sempre me pareceu um preço justo a pagar dentro deste contexto. E de repente, dar-se conta de que esse papel também pode ser fonte de amor e predileção me encheu de orgulho. Com a sensação de que o trem está correndo nos trilhos certos.
Escrito por Denise às 14h17
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PEDIDO
Luluca ontem saiu da escola com essa: - Mãe já sei o que eu vou querer de Dia das Crianças. - O quê filha? - Um RG. Um documento. Um registro geral que a insere em nossa sociedade. Está mais para ritual de passagem da infância para a adolescência ou para a fase teen, pré-teen e ou qualquer outra denominação da precocidade das crianças do que para presente de Dia das Crianças. Ainda bem que pelo menos é um pedido fácil de ser atendido.
Escrito por Denise às 17h36
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RUIM COM ELE PIOR SEM ELE
Voltávamos de um jantar super saudável num fast food e Luísa dizia que sua filha não ia poder comer nesses lugares, ou melhor, só ia poder comer uma vez por mês. E finalizou: -Minha única filha né? Porque eu só vou ter uma menina.
Então eu comentei que achava muito chato não ter irmãos. E perguntei se ela preferia ter continuado filha única. Sua resposta foi imediata: - Preferia sim. Assim vocês só iam dar atenção para mim e só comprar coisas para mim, eu não ia ter de dividir nada com ninguém.
Perguntei então se ela preferia sua vida sem o Rodrigo então. E ela também respondeu imediatamente: - Não. Eu gosto dele, já acostumei com a companhia dele e não queria minha vida sem ele.
Ou seja, ruim com ele e pior sem ele.
Escrito por Denise às 10h18
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CLUBE DA LULUZINHA
Domingo à tarde aconteceu a festinha de aniversário da Luísa, que neste ano resolveu comemorar apenas entre meninas num salão de beleza infantil pertinho de casa. Além de unhas e penteados, as meninas se divertiram a valer com um DJ. Foi uma balada vespertina. Eu e o Alê éramos os únicos adultos presentes e o Rodrigo o único menino com permissão de acesso. Foi uma delícia ver meninas que eu conheço em sua maioria desde bebês super arrumadinhas, com seus vestidos, botas, jeans, meias fio 40, sapatilhas. Cabelos arrumados, unhas feitas e dançando ao som das últimas do rádio. Não deixaram de ser crianças, já que gostaram mesmo foi da gincana que os ótimos DJ's prepararam, mas já têm todo um ar de mocinhas. Cresceram definitivamente. Eu estava preocupada com o Rodrigo, achando que ele ficaria deslocado, sem muita coisa para fazer na festa. Mas ele não só participou da gincana, como dançou e brincou a valer. Se divertiu tanto quanto as demais convidadas e até gel e spray no cabelo colocou. E foi mais do que paparicado pelas amigas da Luluca, que em sua maioria o acham um fofo, no que a mãe coruja aqui concorda plenamente. Como as fotos mostram bem, foi uma tarde divertida e muito feliz.  
Luísa com ar de mocinha e Rodrigo se esbaldando na pista de dança  
Já com os cabelos penteados, com a medalha que ganhou do DJ por conta da sua performance e antes, fazendo pose de milionária com seu chapéu.  
Na hora do parabéns, cercada pelas amigas e conosco depois de apagar as velinhas.
Escrito por Denise às 21h55
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DRA. LU Uma das brincadeiras preferidas da Luísa é de médica. Ora ela é a secretária do consultório, ora assistente da médica, ora a própria médica. Numa das suas últimas brincadeiras, essa era a ficha médica da paciente Gabriela, uma de suas bonecas, reproduzida exatamente como estava no caderno dela: "02/06/2009 Gabriela, Ela está com febre e o ouvido sujo e o coração está devagar e os olhos estão pálidos. Remédios febre - florais (1 vez por dia de manhã) ouvido - limpar (todo dia) coração - se exercitar (1 vez por dia de manhã) olho - abrir um pouco mais"
Já estou começando a pensar em cancelar o plano de saúde e consultar-me exclusivamente com a Dra. Lu...
Escrito por Denise às 17h55
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COMEMORAÇÃO ÍNTIMA

A festa vai ser no domingo. Este ano ela convidou apenas as meninas da turma e a festa vai ocorrer num cabelereiro. Fazer as unhas, penteado e dançar ao som de um DJ foi o que ela escolheu. Mas para não deixar a data de ontem passar em branco, encomendei um bolo e flores para serem entregues em casa. Fui buscá-los na escola. Alê chegou mais cedo para preparar o cenário. Ao ouvir a chave girando na porta, acendeu as velinhas e nos chamou. Ao entrarmos na sala, cantamos parabéns para nossa menina. A animação do Rô foi emocionante. Ela ficou super feliz com a surpresa. Foi uma comemoração simples, com ela cercada apenas por mim, seu pai e seu irmão. Mas foi muito gostoso! Domingo tem mais. 
Escrito por Denise às 09h51
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EVOLUINDO
Minha duplinha adora me presentear com desenhos e cartinhas. A última que recebi da Luísa contém um desenho onde estou de mãos dadas com ela e o seguinte texto: "Denise: Eu Lu te acho muito bonita e linda eu te amo muito, e gostei um pouco que você teve meu irmão. Só um pouco. Te amo muito Lu" Para quem dizia que o irmão deveria morrer quando era pequenininha, temos uma bela evolução.
Escrito por Denise às 20h38
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ESCOLINHA DA PROFESSORA LULUCA A brincadeira predileta da Luísa é de escolinha. Praticamente todos os dias à noite, depois de tomar banho, ela vai para o quarto de brincar, fecha a porta e fica lá conversando, lendo e passando as atividades para os alunos imaginários. Alunos que têm pastas com suas tarefas (folhas que contêm as perguntas feitas pela professora e as respostas correspondentes dadas por seus alunos). Eles também fazem aulas de música e ballet. Ao contemplar a lousa que a professora Luísa encheu de coisas para os alunos fazerem eu me divirto e fico imaginando que boa parte daquelas coisas devem acontecer na escola dela. Colocar a data e a rotina na lousa, por exemplo, é a primeira coisa que a professora dela faz, sendo que a Luísa precisa copiar esta rotina num caderno que traz para a casa para nós vermos o que ela fez no dia. Hoje, a lousa do quarto está assim: 1) Do lado direito está a data e as atividades que os alunos tiveram no dia 9 de maio (último dia em que ela brincou). Caderno de rotina, conversa (que ela grifou com "ç"), lanche, matemática, história e geografia, portfólio (montagem da tal pasta com as atividades do aluno), ficha, almoço. 
2) Ao lado desta longa lista de afazeres do dia, há várias "Adições". 
O interessante é que entre uma conta e outra está escrito "4 dedos". Perguntei a ela o que é isso e ela disse que é para que os alunos não copiem as contas de forma amontoada. Para que dêem a distância de 4 dedos entre uma conta e outra. Questionei se a professora dela também escreve isso na lousa e ela disse que não, que ela apenas sugere que eles dêem um espaço de 4 dedos, mas que ela achou mais prático deixar escrito esse aviso para os seus alunos. 3) Finalmente, à direita embaixo da rotina está descrito o que os alunos terão de fazer no HE (horário de estudo, que é o horário à tarde que eles têm para fazerem sozinhos algumas tarefas sugeridas pela professora). Naquele dia, os alunos teriam de fazer a leitura do livro "Os problemas da família gorgonzola" das páginas 8, 9 e 10 e fazer uma "produção de texto". 
Eu sempre penso que queria ser uma mosca bem pequenininha por um só dia para ver como é o dia-a-dia dos meus filhos na escola. Mas basta olhar na lousa da minha casa para ter uma pequena amostra disso.
Escrito por Denise às 22h09
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PEQUENAS PORÇÕES DE ORGULHO
Ações grandiosas dos filhos podem ser fonte de muito orgulho para seus pais. Mas há vários episódios ao longo da vida deles capazes de gerar esse sentimento também. Ontem levei às crianças depois da escola no lançamento do livro "E por falar em tabuada..." de João Bianco e Mônica Marsola, mãe da professora de ballet da Luísa. Ao chegarmos no auditório da livraria, onde teria um show com a participação da professora da Luísa, do irmão dela e da autora cantando algumas canções do livro, uma amiguinha da classe dela chamou: -Luísa vem cá, senta aqui do meu lado! E outra completou: -Então eu vou mudar de lugar para a Luísa poder sentar no meio de nós duas, porque eu também quero sentar do lado dela! Para quem até pouco tempo ouvia sua filha reclamar da rejeição dos colegas de escola, coisa que estava intimamente ligada ao seu jeito mandão e impositivo, ouvir esse diálogo foi como música para os meus ouvidos. Abri aquele sorriso interior de felicidade na hora. E pude constatar o que a professora dela do ano passado já havia dito: que ela tinha se esforçado muito para mudar seu comportamento e que isso era visível até para os amigos. No meio do show várias crianças levantaram de suas cadeiras e foram fazer farra com papéis picados que haviam sido jogados de um balde durante o evento. Luísa permaneceu sentada apreciando o espetáculo. Procurou o meu olhar na fila de trás para ver se podia também fazer bagunça e diante da minha censura, permaneceu lá, quietinha e comportada. Voltei para a casa sentindo muito orgulho em ser mãe dessa garotinha tão especial. Orgulhosa, feliz e muito sortuda. Essa era eu ontem à noite.
Escrito por Denise às 13h14
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COCHICHOS DE MENINA
Outro dia uma amiguinha da Luísa veio dormir em casa. Busquei-a na escola e levei-a no dia seguinte. Elas tiveram pouco tempo para brincar, mas foi tão bom compartilhar esse momento!
Banho de espuma na banheira, brincadeira de cantoras, boneca, escolinha, filme de menina na TV e, principalmente, aqueles cochichos gostosos de ouvir das duas no quarto antes de dormir.
Infelizmente não pude entrar na brincadeira. Meu principal papel foi entreter o Rodrigo para que ele não se metesse e não atrapalhasse as brincadeiras delas. Deixei inclusive ele dormir na minha cama, para deixar o quarto livre para as duas meninas.
Mas ficar de longe ouvindo já foi bem divertido. Trouxe várias lembranças boas que eu tenho das vezes em que dormi na casa de amigas ou vice-versa, em que passávamos horas conversando no escuro antes do sono chegar. Com minhas primas então, era uma delícia! Não sei se vou achar tão legal quando for a vez do Rodrigo, já que imagino que as brincadeiras de dois meninos sejam bem mais, digamos assim, cheias de energia. Mas ficar de espectadora dos cochichos das meninas foi bom demais.
Escrito por Denise às 18h03
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