SOMBRAS E LUZ
Uma das delícias de São Paulo está na multiplicidade de opções culturais que oferece. Ontem fomos ao Sesc Pompeia conferir a exposição "sombras e Luz" que faz parte das comemorações do ano da França no Brasil. Sombras e Luz foi aberta na Cité des scienses et de l'industrie em outubro de 2005 e fez tanto sucesso por lá que acabou permanecendo no espaço até hoje. Foi reconstruída para a versão brasileira. Em suma, a exposição nos leva para uma viagem na casa de Arquimedes Sombra um cientista, filósofo, poeta, colecionador, enfim, um delicioso personagem de ficção que tem uma paixão tão grande pela sombra, que transformou toda a sua casa num laboratório de sombras. Passeamos pelas salas, pelo gabinete de curiosidades, pelo laboratório, cozinha, varanda e pelo jardim. Em todos eles há várias experiências interativas que nos permitem voltar ao tempo em que brincávamos com a sombra. Se chegamos mais perto do ponto de luz ela fica pequena, mais longe grande. Dependendo do ângulo, cinco pessoas podem formar uma única sombra. O eclipse solar que nos intriga nada mais é do que a Lua fazendo sombra para o Sol. No laboratório, aprendemos como se revela uma foto, feita naqueles filmes que nossos pequenos viram pouquíssimas vezes na vida. Como reitera Arquimedes, a receita é simples, "para fazer uma sombra é preciso três ingredientes: um objeto, um ponto de luz e uma superfície para refleti-lo". Quando entramos na gruta negra instalada no quintel, essa lição fica ainda mais óbvia: "Onde não há luz, não há sombra". De quebra, estávamos lá às 18 hs, quando há sessões de teatro de sombras. Assistimos "O valente filho da Burra". Ah! O preço disso tudo: apenas nosso tempo. A exposição é grátis e fica em cartaz até o dia 06 de dezembro. Difícil saber que se divertiu mais. Nós ou as crianças.
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 21h24
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VIDA NOVA
Coincidentemente ontem eu contei sobre as conversas recentes que tive com as crianças sobre a chegada de mais um bebê. Na madrugada, uma amiga muito querida deu à luz em casa, com o auxílio de doulas de seu segundo menino. Seu sonho era ter um parto normal e domiciliar. Mas ao longo da gestação ela teve cálculo renal, sinusite, pressão alta, suspeita de diabete gestacional (por conta do tamanho apontado para o bebê num ultrassom, diagnóstico que não se confirmou). Agora, na reta final, chegando nas 40 semanas, suspeita de novas pedras nos rins e possível infecção urinária deram as caras. Nada se confirmou. Mas internação e cesárea pareciam o desfecho mais provável diante de todos estes percalços. E então esse menino lindo veio. Do jeitinho que ela sonhou. Para nos mostrar que ter filhos é perder o controle da situação. Que por mais que planejemos e projetemos, a decisão final de quando nascem e como nascem não está em nossas mãos. Não importa se somos marinheiras de primeira viagem ou não. Cada filho é único e, embora a experiência adquirida com a primeira gestação tenha sua utilidade, não teremos uma gestação igual à outra, assim como as fórmulas e jeitinhos que usamos para educar uma criança provavelmente não poderão ser aplicadas exatamente do mesmo jeito com as demais. E é isso que dá graça à maternidade. Sua imprevisibilidade. Querida amiga, hoje é um dia muito feliz para quem acompanhou essa história. Esse presente que seu filho resolveu lhe dar logo na chegada foi muito merecido. Que venham muitas e muitas alegrias! Parabéns a toda a família!
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 18h57
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BEBÊ A BORDO
A lógica das crianças é mesmo muito divertida. Por mais que pareçam maduros, nas horas em que a utilizam, mostram que veem o mundo com um olhar que só os pequenos poderiam ter. Dia desses Luísa reclamava que queria mais um bebê na nossa família, uma irmãzinha para que ela pudesse ir ensinando desde pequena a brincar de escolinha e ser a aluna dela. Eu respondi que o papai não queria mais filhos, e que, como ela já sabia, para fazer filhos eram necessárias duas pessoas com esta intenção. Sua resposta foi imediata: - Então por que você não faz sexo com outro homem que queira um filho? Consegui controlar a vontade de rir e, sem nem entrar no mérito da questão sobre o que estaria envolvido em fazer sexo com outro homem, respondi que o papai não quer outro filho para cuidar, independentemente de ser filho dele, de outro homem ou adotado. E completei que também não há como garantir que um terceiro bebê seria uma menina. E se viesse um outro menino? - Aí danou-se né mãe? - Pois é. A melhor solução é você se arranjar com esse irmão que você já tem. Ensine ele a ser o seu aluno. - Ah, mas ele não sabe não... O irmão, que até então estava calado no banco de trás (sim, irmãos mais novos acabam ouvindo conversas que jamais ocorreriam na idade dele, se apenas ele estivesse presente), deu a excelente resposta final: - Muito melhor eu do que aquele bando de bonecas (as atuais alunas da escola), que nem existem de verdade.
Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 13h25
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ORGULHO DE MÃE
Tentar não projetar minhas expectativas sobre as crianças é um exercício diário que faz parte do meu aprendizado como mãe. Mas não tem jeito. Minha porção leitora voraz, cujo maior sonho em criança era ser uma escritora famosa, ficou exultante quando acordei hoje e a Luísa perguntou: - Mamãe, a que horas você volta da escola hoje? (não, ainda não acabei o curso. Só darei meu grito de liberdade aos sábados no final desse mês) - Umas 16:30hs filha. Por que? - Porque eu quero ir na Livraria da Vila hoje, participar da sessão de autógrafos do Ilan Brenman. Você me leva? É claro que levei. Feliz da vida. Um pedido de filho para ir encontrar um autor em uma sessão de autógrafos não se recusa de jeito nenhum! A Luísa já conhecia o Illan Brenman. Na Semana de Leitura da escola, que acontece em outrubro, ele compareceu, para falar do livro "O pó do crescimento", uma coletânea de contos que ainda não li. Pois é, agora já tenho livros em casa que a Luísa leu antes de mim! Ela leu na escola, adorou e eu ainda não tive tempo de conferir. Mas o livro que lançado hoje foi o delicioso "Pai, todos os animais soltam pum?", com ilustrações de Ionit Zilberman, da editora Brinque-Book. A curiosa e encantadora Laura, personagem do anterior "Até as princesas soltam pum", pergunta agora a seu pai se todos animais soltam pum. O pai acha essa pergunta muito mais fácil que a outra e responde afirmativamente. Mas aí, a esperta Laura indaga: até a minhoca? E a pulga? E os golfinhos? E as borboletas? A conversa entre os dois termina com a filha dando uma aula ao pai. E se você também quiser descobrir se esses bichinhos soltam ou não pum, tem uma entrevista com uma bióloga ao final do livro que esclarece definitivamente o assunto. Recomendo também uma visita a Livraria da Vila, sobretudo a essa unidade da Fradique Coutinho. É um excelente programa para famílias com crianças em São Paulo. Tem um dos melhores acervos de literatura infantil que eu conheço. A disposição dos livros e o charme do local completam o cenário.
Categoria: Olha só o que eu achei do livro
Escrito por Denise às 21h59
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PARA BRINCAR SÓ PRECISA MESMO DE IMAGINAÇÃO
As mensagens publicitárias dos canais infantis enlouquecem os pequenos. É cada brinquedo mais bacana que o outro, e a cada visão de um deles, ouço as palavras "eu quero" ou "você compra para mim". Mas a verdade é que criança não precisa de nada muito sofisticado para se divertir. Ontem mesmo tivemos umas boas duas horas de brincadeira aqui em casa. O único apetrecho era uma caixa de papelão. Que fazia às vezes de controle remoto. Um deles ficava com o controle. E o outro era um helicóptero. A criança que estava com o controle nas mãos, dava ordens ao helicóptero (porque não bastava apertar o controle, precisava mandar o helicóptero obedecer). - Vira para o lado. Para frente. Agora sobe. Pula! Turbulência (ao ouvir essa palavra a criança-helicóptero balançava a cabeça freneticamente)! Depois de um tempo, os papéis se revezavam. Divertiram-se, riram e passaram um bom tempo juntos.
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 21h05
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FUNNY SUNDAY
Recomendo fortemente o sachê de sais de banho da nova linha Fun Milk do Boticário. É cheiroso, faz uma espuma deliciosa e rende muito. Um sachê pode ser usado umas três vezes. Eu coloquei meio sachê hoje para fazer farra com o Rodrigo e sobrou espuma. 
Uma ótima receita para um final de domingo com muito fun...
Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 20h52
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QUEBRANDO A ROTINA
Ontem fui encontrar amigas queridas, cheguei tarde e acabei desistindo de acordar cedo hoje para ir para a ginástica hoje. Bem antes da culpa pensar em me atingir, vou lá dizer bom dia para as crianças, que já estão na sala vendo TV. Rodrigo então me abraça e diz: - Não vou te soltar daqui nunca mais! O que você prefere? Meu carinho, meu abraço ou meu beijinho. Eu logicamente respondi que prefiro tudo. E ganhei tudo isso de presente logo cedo. Ai, ai...Bom demais dar um chute na rotina vez ou outra!
Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 17h24
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INÍCIO DA TRANSFORMAÇÃO
Luísa está estudando a metamorfose da borboleta nas aulas de ciências. Do alto de sua sabedoria infantil, disse outro dia que as pessoas também passam por uma metamorfose entre a fase em que são crianças e aquela em que se transformam em adultos. A metamorfose dela já começou. Outro dia ela corria pela casa brincando de pega-pega com o irmão. Tudo como sempre. Brincadeira de criança, risada de criança, correria de criança. Mas de repente, senti um cheiro novo. Que criança não tem quando corre. Suor com cheiro. Chamei-a para perto, para ter certeza que não estava sendo enganada pelo meu olfato. E ela confirmou: "-Ah, já faz tempo que eu ando ficando bem fedidinha depois da aula de ballet!" No dia seguinte liguei para a pediatra. Para saber se existe desodorante para criança de 8 anos. Para, no fundo, saber como é que pode um ser crescer assim tão rápido? Ser uma pupa prestes a virar borboleta já? Cadê a larvinha que estava aqui até ontem? Desodorante para criança com dermatite atópica se compra em loja especializada para alérgicos. Menina que já apresenta cheiro de suor passa a frequentar a pediatra semestralmente, para que esse crescimento seja monitorado. Mãe de pupa que está virando borboleta tem de olhar para frente com alegria. Borboleta não cabe no colo como a larva. Mas voa por aí com suas próprias asas. E, de outra forma, vai encher a minha vida de felicidade. Porque não dá para esperar outra coisa da vida. Como ela bem lembrou, seres humanos também passam pela metamorfose.
Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 19h04
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ESTAMPADO NO ROSTO
Crianças pequenas costumam ver coisas que estão além do seu campo de visão quando a pessoa envolvida é alguém com quem eles convivem intensamente. Ontem à noite depois de tomarmos banho e de eu contar história para o Rodrigo, conforme o prometido, ele disse: - Vamos brincar de alguma coisa mamãe? Alguma coisa que você não precise levantar do sofá. Para você ficar aí relaxada, descansando. Fomos jogar dominó e jogo da memória. E eu me senti transparente. Não tinha reclamado e nem estava me sentindo particularmente cansada. Mas também não estava num dia em que lutar ou correr pela casa soasse como uma alternativa de brincadeira. Ele realmente adivinhou meu desejo.
Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 18h02
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OS TAIS COMBINADOS
Quem tem mais de um filho, sendo eles pequenos o suficiente para não entenderem porque não podem pisar na linha amarela da escada rolante, mas grandes o suficiente para saírem correndo pelos corredores, ou para desmontarem uma vitrine enquanto você paga por alguma mercadoria numa loja, certamente dirá que ir sozinha com eles a um shopping center é sinal claro de insanidade. Pois ontem eu cometi essa loucura. Precisava comprar presentes para os professores da Luísa e para amiguinhos das crianças que farão aniversário, e não tinha como ir sozinha. Precisava levá-los comigo. Assim que eles entraram no carro depois da escola, já fui logo dizendo que gostaria muito de ir ao shopping com eles para que eles pudessem me ajudar na escolha dos presentes, mas que, para que isso acontecesse, eu precisava já combinar algumas coisas: nada de andar ou pisar onde não deve nas escadas rolantes, nada de sair correndo na minha frente, nada de fazer bagunça nas lojas e nada de gracinhas. Terminei com a frase: “Combinado? Posso confiar em vocês?” Eles toparam. Luísa apenas questionou sobre o que significava exatamente "nada de gracinhas". Eles não iam poder fazer nenhuma piada? Dar nenhuma risada? Uma vez explicado que eu entendia por gracinhas brincadeiras do tipo espião (eles adoram brincar que estão me espionando em lojas de departamento, escondem-se no meio das araras e eu quase enlouqueço procurando a dupla) e coisas do gênero e que risadas e piadas poderiam acontecer desde que não envolvessem correria e sumiço, seguimos para o shopping. Deu tudo certo. Eles comportaram-se como dois anjos. Foram pacientes, ajudaram na escolha dos presentes e não me desobedeceram uma vez sequer. Ao entrarmos no carro para irmos para a casa perguntaram: - E aí mamãe, cumprimos o combinado? Elogiei, disse que cumpriram sim o combinado, e pela primeira vez em muito tempo voltei de uma ida ao shopping com as crianças sem a cara de quem acaba de enfrentar um furacão. Sei que combinados não funcionam sempre. Mas se existe um caminho para obter colaboração dos pequenos acredito que seja esse. Avisar antes o que vai acontecer, como você espera que eles se comportem e o quais serão as conseqüências do não cumprimento do trato. E é claro que consistência é fundamental. À noite Rodrigo pediu para que eu lesse a história de um livrinho para ele. Eu disse que já estava tarde. Que como nós fomos ao shopping, naquela noite não poderia ter história. Não daria tempo. Que na noite seguinte também não contaria porque teríamos uma festa à noite e chegaríamos mais tarde novamente. Mas que no dia após a festa eu contaria. Ele olhou para mim e disse: -Posso confiar em você? Pode sim filhote. Vou cumprir o combinado.
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 13h39
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PARABÉNS PARA ELA!
Ando numa super correria por conta do término do meu curso de pós-graduação e não tenho conseguido atualizar esse espaço como eu gostaria. Estou guardando um montão de coisas dos filhotes na memória para contar depois que essa avalanche passar. Mas tive de separar um tempinho hoje para registrar o aniversário da minha querida mãe. Demorei muito para entender o verdadeiro significado do que ela fez, faz e sente por mim. Só tive uma compreensão completa disso quando me tornei mãe. E isso só me faz desejar que ela viva pelo menos mais 64 anos para que eu possa agradecer, retribuir e continuar curtindo muito essa pessoa tão especial, co-responsável em grande medida pela adulta na qual me transformei. Que os netos tenham a sorte de poder ter a vovó espanhola ao lado por todo esse tempo então!
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 18h12
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ETERNO CICLO
Num dia desses, depois de fazer cocô Rodrigo olha para a privada e diz: -Tchau cocô! Amanhã eu faço você de novo! E não é que o menino tem razão?
Categoria: Coisas de Gogô
Escrito por Denise às 20h47
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COZINHA EM FAMÍLIA Neste ano o tema da feira cultural da escola era a diversidade. A turma da Luísa trabalhou o tema através da gastronomia. A partir do mote "não existe comida ruim, mas comida diferente", eles foram divididos em grupo. Cada grupo ficou responsável por um país, sendo que a divisão tentou respeitar o parentesco de cada um. Como em São Paulo quase todo mundo é filho, neto ou bisneto de imigrante não foi uma tarefa tão complexa assim. Luísa ficou no grupo da Espanha. Coletamos várias informações sobre o país e mostrei fotos para ela da viagem que fiz para lá. Mas pensando em como ajudá-la, tive a idéia de fazermos uma paella. Avó (a única espanhola legítima dentre as três), mãe e neta divertiram-se muito na cozinha num domingo por conta disso. Nossa paella foi mais simples. Tinha apenas frango e camarão. Mas ficou deliciosa mesmo assim, como bem mostram as imagens a seguir.  
Os primeiros ingredientes vão para panela. Frango, pimentão, cebola (detalhe para o avental típico)...  
Camarão, açafrão e arroz. 
Deixa pegar bem o gostinho (detalhe para a pose das espanholas) e secar a água... 
E tcham! Aqui está ela prontinha... 
e aprovadíssima! A turma e a professora adoraram o resultado. As fotos transformaram-se num cartaz, que foi exposto no dia da Feira. Ao centro ela acrescentou a receita.  Precisamos agora repetir a dose para atender aos pedidos dos amigos e professores. Ficou todo mundo com água na boca querendo provar também.
Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 21h30
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HORA DA VERDADE II
Relendo o que escrevi ontem, sobre a conversa com a Luísa, achei que faltou falar que, embora tenha sido mais fácil do que eu pensava, fiquei com bastante vergonha. Não vergonha do assunto de um modo geral, mas um sentimento de pudor, por estar falando para a minha filha sobre o sexo que faço com o pai dela. Esse desnudar da nossa intimidade causou-me um certo estranhamento. Tentei disfarçar e mostrar naturalidade. Espero ter conseguido. Mas o fato é que pais fazendo sexo é um tabu em nossa sociedade e encará-lo não é uma tarefa tão simples assim. Em casa sempre deixamos muito claro que o papai é o namorado da mamãe e fizemos questão de mostrar que nos amamos, namoramos, damos beijo e abraço um no outro. Mas evitamos trocas de carinho mais explícitas na frente das crianças, assim como não assito TV quando eles estão por perto. Para não acelerar um processo que virá naturalmente. Por isto anteontem o que aconteceu foi um descortinar desse outro universo que os pais dela possuem. Espero ter mais contribuído que atrapalhado para o desenvolvimento saudável da filhota.
Categoria: Reflexões de mãe
Escrito por Denise às 10h02
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HORA DA VERDADE
Chega um dia na vida dos pais em que seus filhos fazem a famosa pergunta: - Mãe, como é que são feitos os bebês? O meu foi ontem. Luísa perguntou como é que a mulher fica grávida. Respondi que toda mulher tem algumas células chamadas óvulos. Quando uma destas células se junta ao espermatozóide, que vem do pai, a célula se desenvolve, formando o bebê. Continuando a conversa, ela perguntou: -Como é que o pai faz para colocar o espermatozóide no corpo da mãe? Peguei então o maravilhoso livro “Mamãe botou um ovo” de Babette Colle, nos sentamos calmamente e lemos juntas. Na história, um casal de irmãos faz esta pergunta aos pais. E eles respondem as coisas mais disparatadas, como por exemplo, “plantamos uma árvore de bebês e vocês brotaram dela”. Depois de várias destas respostas esdrúxulas, os filhos caem na gargalhada e dizem que, pelo jeito os pais não sabem, e que eles vão desenhar para eles como isso acontece. Aí contam, através dos desenhos, que a mamãe tem ovos dentro da barriga e o papai tem sementes nos saquinhos que ficam fora do seu corpo. O papai tem um tubo. As sementes que estão nos saquinhos saem por ali. O papai encaixa na mamãe e o tubo entra na barriga dela por um pequeno buraco. Então os meninos desenham várias formas que os adultos usam para se encaixarem (esta é a parte que eu acho melhor. É didática, acessível às crianças e explica tudo em três ou quatro desenhos). Começa então a corrida dos espermatozóides. Quando um deles ganha, os bebês começam a ser formados. A mamãe vai ficando mais e mais gorda, o bebê maior e maior ainda, até que sai da barriga. Ao terminarmos a leitura, Luísa perguntou novamente sobre o encaixe dos corpos, que eu expliquei e denominei de “fazer sexo”. Pensou um pouco e seguiu-se o seguinte diálogo: - Será que eu posso ficar grávida sem fazer sexo? - Não minha filha, não pode. Por que? - Ah, mãe, porque eu achei meio nojento. Acho que nunca vou ter vontade. -Não é nojento não minha filha. É gostoso. E a gente só tem vontade mesmo depois que cresce. Quando somos crianças não dá mesmo a menor vontade. Encerramos então mais esse capítulo em nossas vidinhas juntas. Foi bem mais fácil do que eu esperava. Graças à excelente ajuda que tive da Babette Colle.
Categoria: Coisas de Luluca
Escrito por Denise às 10h05
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