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Olha só o que eu achei do livro
ORGULHO DE MÃE
Tentar não projetar minhas expectativas sobre as crianças é um exercício diário que faz parte do meu aprendizado como mãe. Mas não tem jeito. Minha porção leitora voraz, cujo maior sonho em criança era ser uma escritora famosa, ficou exultante quando acordei hoje e a Luísa perguntou: - Mamãe, a que horas você volta da escola hoje? (não, ainda não acabei o curso. Só darei meu grito de liberdade aos sábados no final desse mês) - Umas 16:30hs filha. Por que? - Porque eu quero ir na Livraria da Vila hoje, participar da sessão de autógrafos do Ilan Brenman. Você me leva? É claro que levei. Feliz da vida. Um pedido de filho para ir encontrar um autor em uma sessão de autógrafos não se recusa de jeito nenhum! A Luísa já conhecia o Illan Brenman. Na Semana de Leitura da escola, que acontece em outrubro, ele compareceu, para falar do livro "O pó do crescimento", uma coletânea de contos que ainda não li. Pois é, agora já tenho livros em casa que a Luísa leu antes de mim! Ela leu na escola, adorou e eu ainda não tive tempo de conferir. Mas o livro que lançado hoje foi o delicioso "Pai, todos os animais soltam pum?", com ilustrações de Ionit Zilberman, da editora Brinque-Book. A curiosa e encantadora Laura, personagem do anterior "Até as princesas soltam pum", pergunta agora a seu pai se todos animais soltam pum. O pai acha essa pergunta muito mais fácil que a outra e responde afirmativamente. Mas aí, a esperta Laura indaga: até a minhoca? E a pulga? E os golfinhos? E as borboletas? A conversa entre os dois termina com a filha dando uma aula ao pai. E se você também quiser descobrir se esses bichinhos soltam ou não pum, tem uma entrevista com uma bióloga ao final do livro que esclarece definitivamente o assunto. Recomendo também uma visita a Livraria da Vila, sobretudo a essa unidade da Fradique Coutinho. É um excelente programa para famílias com crianças em São Paulo. Tem um dos melhores acervos de literatura infantil que eu conheço. A disposição dos livros e o charme do local completam o cenário.
Escrito por Denise às 21h59
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MEU PRIMEIRO LAROUSSE ENCICLOPÉDIA Assim como acontece com brinquedos, muitas vezes as crianças não ligam muito para um determinado livro e o deixam ali encostado. Aí depois de um tempo, parece que o redescobrem. Há uns dois anos Luluca ganhou de aniversário o livro “Meu primeiro Larousse Enciclopédia”. Conhecendo sua curiosidade, achei que ela ia adorar o livro. Mas ela literalmente o deixou de lado. Talvez porque ainda não sabia ler e realmente não tem tanta graça ouvir uma enciclopédia de ciências sendo narrada por outra pessoa. Mas neste ano ela redescobriu o livro. Fica sentadinha num canto um tempão entretida com os conhecimentos gerais que ele esconde. O livro parece mesmo ser ótimo para esta fase em que a criança já tem mais intimidade com a leitura, mas ainda prefere textos simples, curtos e com imagens. No dia em que a vi pela primeira vez absorvida na leitura, perguntei o que ela estava lendo e ela veio me mostrar, contando sobre as teorias existentes sobre a extinção dos dinossauros. E emendou com a seguinte frase: - Não vejo a hora de chegar na página que fala sobre o nascimento! Confesso que engoli seco. E retruquei: -Por que? E respirando aliviada, ouvia a resposta: -Porque as fotos do bebê na barriga desta página são muito legais, olha só! Olhei a página. Ela começa com o desenho de um espermatozóide e um óvulo e diz que é preciso de um homem e de uma mulher para fazer um bebê. E acaba a história por aí, respeitando devidamente o posicionamento de cada família e falando sobre a gravidez e o nascimento. O meu posicionamento nem é conservador em relação ao tema. Sou fruto de uma geração bastante liberal, ganhei “De onde vêm os bebês” aos 7 anos e sempre tive muita liberdade para falar sobre sexo com meus pais. Mas sinto um aperto no peito quando penso em explicar essas coisas para a filhota. É como se aquela inocência que os faz acreditar em bebês que vem do céu para a barriga da mamãe, velhinhos que entregam presentes ou coelhos que trazem ovos de chocolate definitivamente chegasse ao fim. Talvez por isto eu nem pense em tomar a iniciativa de lhes dar um livro, como fez minha mãe. Jamais me negarei a responder às suas perguntas sobre o tema, mas espero sempre na medida da curiosidade deles no momento. Sem mentira, mas sem adiantar nada. O livro, “Mamãe botou um ovo”, que é divertidíssimo e instrutivo já está comprado. E guardado para quando a curiosidade efetivamente chegar e ver a pergunta: -Como é que se fazem os bebês?
Escrito por Denise às 14h41
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CHUPA-TINTAS
Ontem faltou luz em casa à noite. A vida moderna tornou ficar algumas horas sem luz algo muito esquisito. Passados os momentos iniciais de procurarmos lanternas e nos localizarmos na escuridão, as crianças logo perguntaram: -O que é que a gente vai fazer sem luz? Não dá para fazer nada! Sem televisão, sem computador, sem telefone... Sugeri à Luísa que ele lesse para nós. Diante do ponto de interrogação que apareceu no seu rosto, eu disse: -Eu seguro a lanterna e você lê o livro. E foi o que fizemos. Finalmente ela terminou de nos contar a história de "Um canudinho para dois", livro que ela trouxe da biblioteca da escola, e que é uma continuação de "O chupa-tinta" que ela havia trazido antes. Ambos são de autoria de Eric Sanvoisin e contêm ilustrações de Martin Matje. Contam a história de um vampiro diferente, que se alimentava da tinta dos livros e que, ao morder Odilon, filho do livreiro, transforma-o também num bebedor de tintas. O menino, que até então odiava livros, descobre o encanto deles ao transformar-se num apreciador de uma de suas matérias-primas. Na sua nova condição de vampiro, ele conhece Carmilla, sobrinha do Draculivro e que se transforma em sua namorada. Ainda virão para a casa, dos mesmos autores, "A cidade dos chupa-tintas" e "O pequeno chupa tinta vermelho". Confesso que ainda estou tateando no campo da literatura infanto-juvenil. Depois de tantos anos mergulhando no mundo da literatura infantil, consigo reconhecer os bons autores e bons ilustradores já. Mas ainda não conheço muito os livros que andam agradando a Luísa no momento. Precisam ter frases suficientes para que sejam objeto de uma leitura mais demorada e reflexiva, mas ainda precisam ter ilustrações interessantes que complementem a história. A saga dos chupa-tintas atende bem a estes requisitos e traz uma mensagem bastante interessante. Depois de ler o primeiro, Luísa concluiu: -Acho que nós duas somos duas chupa-tintas. Foi capaz de entender bem a mensagem, relacionado a idéia de gostar de ler, de "devorar livros" com a saga de Odilon e Draculivro. Com estes livros também pude reparar que a velocidade de leitura dela aumentou muito. Eu costumo ficar ao seu lado enquanto ela conta, para corrigir a leitura errada de uma ou outra palavra ou dar a entonação certa em determinada frase. E percebi que meu trabalho nesse sentido diminuiu consideravelmente. E, para completar, ontem eles descobriram que não é preciso de luz elétrica para divertirem-se. Um bom livro e claridade são suficientes para alguns bons momentos de entretenimento. E eu, morri de rir ao ouvir, antes do início da leitura, a seguinte frase: -Antes de começar a ler, vou resumir o capítulo para você, porque sou muito faladista (leia-se faladeira) e adoro uma platéia de verdade (ela sempre lê sozinha para seus alunos imaginários)!
Escrito por Denise às 13h02
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EQUADOR
Faz um tempão que não faço resenhas de livros. Continuo lendo. O meu tempo quase diário de leitura na bicicleta ergométrica continua sendo bem utilizado. Só tenho andado mesmo é sem tempo para contar o que achei deles por aqui. Tenho várias resenhas de livros infantis na fila também. Então resolvi começar a saldar essa dívida com um romance maravilhoso que li no início do ano. Foi um presente de Natal que ganhei dos meus primos queridos que moram em Portugal. Um romance do autor português Miguel Sousa Tavares chamado Equador. O livro já foi editado por aqui, mas eu ganhei a versão em português de lá, que foi uma delícia de ler! É uma história sobre dominação, diferenças culturais, mecanismos de funcionamento da política, dificuldade em se levar ideais adiante quando se está sozinho, ingenuidade e desterro. Conta a história de um homem da corte que é intimado pelo rei a ser o novo governador das ilhas africanas de São Thomé e Príncipe. São colônias que produzem cacau e que estão sendo acusadas pela Inglaterra de manterem trabalho escravo, apesar de um acordo existente entre os países de não mais fazê-lo. Esse homem tem de garantir que o diplomata que será enviado pela Inglaterra às colônias fará um relatório favorável a Portugal. Este inglês, por sua vez, também é um desterrado. Depois de uma carreira meteórica na Índia, sofre um revés e é enviado a São Thomé e Príncipe. A amizade entre esses dois homens que estão em campos opostos e um caso de amor que se interpõe entre eles completam a trama. Uma deliciosa trama de mais de 500 páginas que nos envolve, que nos faz ter aquela sensação maravilhosa de quando lemos um bom livro. Ao mesmo tempo queremos não parar de lê-lo para saber como termina a história, e lê-lo bem devagar para podermos saboreá-lo ao máximo. Queridos Luís e Dani, obrigada pelo presente. Gostei tanto que um outro título do autor, Rio das Flores, já está em minha próxima lista de compras.
Escrito por Denise às 10h49
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ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM
Acho o bom escritor de livros infantis de uma genialidade incrível. Porque ele tem a capacidade de achar caminhos inusitados para explicar para as crianças coisas muitas vezes complexas. Consegue entrar no mundo dela de um jeito que só ele sabe.
Este é o caso de Ilan Brenman no excelente “Até as princesas soltam pum” editado pela Brinque Book e lindamente ilustrado por Tonit Zilberman.
Ele conta a história de uma menina que chega em casa indignada com um amiguinho que chamou a Cinderela de peidona. E pergunta ao pai se aquilo que o menino disse podia ser mesmo verdade. O pai então revela que existe um livro muito especial contendo os mais secretos segredos das princesas dos contos de fadas.
Através dessa maneira tão especial, tão ao gosto dos pequenos em sua fase escatológica, Ilan consegue mostrar para as crianças que todos, sem exceção, são "gente como a gente". Nem mesmo as princesas lindas, boazinhas e queridas são perfeitas.
O livro agradou tanto a maiorzinha quanto o pequenino lá de casa. Assim que terminei de ler, Luísa disse: - Mãe mas você é perfeita né?
-Não minha filha, se até mesmo a Cinderela solta pum, porque eu haveria de ser diferente não é mesmo?
Escrito por Denise às 18h17
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DE REPENTE, NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE
Tenho aproveitado que as crianças estão dormindo no mesmo quarto e que tenho uma poltrona confortável instalada ali, para ler histórias para eles. Normalmente primeiro conto uma história de um livro com ilustrações, e depois começo a ler um que não tenha, para que eles possa imaginar seus próprios cenários. Este livro de Amós Oz não foi escrito para o público infantil. Mas pode ser contado em capítulos aos maiorzinhos. Ao contrário da linguagem mais tradicionalmente usada pelo autor, de quem li também o ótimo “A caixa preta”, o livro é uma fábula. Conta a história de uma aldeia onde não há animal nenhum e onde as crianças são proibidas de entrar no bosque vizinho à aldeia, pois segundo os mais velhos ele é habitado por Nehi, o demônio das montanhas. Quem não cumpriu a ordem e se embrenhou no bosque nunca voltou de lá, ou voltou mentalmente doente. As crianças só conhecem os animais pelas fotos que lhes são mostradas pela professora da escola. Mas duas delas, resolvem enfrentar o perigo e se embrenhar no bosque. Mati e Maia descobrem então o segredo por trás deste mistério. E nos ensinam sobre tolerância, discriminação, convivência com o outro e integração do homem com a natureza. Uma ótima maneira de conversarmos com nossos filhos sobre assuntos tão contemporâneos.
Escrito por Denise às 10h59
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INVASÃO DE PRIVACIDADE
Eu sei que isto pode ser chamado de invasão de privacidade. Que esta foto poderá ser censurada futuramente pelo próprio fotografado. Mas não resisti quando vi o menininho sentando-se no trono e pegando a revista semanal para inteirar-se das últimas da política e da economia. Cadê mesmo aquele meu bebezinho que ainda ontem usava fraldas e precisava ser trocado?

Escrito por Denise às 20h17
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BRINCADEIRA DE SOMBRA
Esse livro da Ana Maria Machado foi a Luísa quem nos trouxe da biblioteca da escola nessa semana.
Eu gostei particularmente dele, porque ontem à noite mudei de papel. De contadora de histórias passei a ouvinte. E é muito emocionante ouvir sua filha lendo em uma velocidade bastante razoável, respeitando a pontuação e contando uma história direitinho para você.
Assim, mesmo que o livro não fosse muito interessante eu o teria adorado. Mas o fato é que Ana Maria Machado tem um jeito todo próprio de falar de encantamento, descobertas e da relação entre adultos e crianças que eu adoro.
Este livro conta a história de uma neta, chamada Luísa, que sai com seu avô para ir até a padaria e começa a reparar na sombra dela e dele. E diz que gostaria muito que sua sombra ficasse maior que a do avô, o que não acontece ao longo de todo o passeio. E até tentar trocar de sombra com o avô ela tentou. Depois, ao chegarem em casa, o avô a ensina a brincar com as sombras a partir da luz de um abajur, projetando desenhos feitos com as mãos na parede. E Luísa descobre que, ao se afastar ou aproximar da luz do abajur, sua sombra muda de tamanho. Finalmente, com essa brincadeira, ela consegue ter uma sombra enorme, maior que a do seu avô.
O texto é pequeno, simples e as ilustrações de Marilda Castanha são lindas. Mas apesar da simplicidade da linguagem, acredito que funcione melhor para as crianças maiorzinhas, sobretudo para aquelas que estiverem na fase de alfabetização, pois conseguem ler sozinhas e já estão na fase de formularem suas próprias hipóteses sobre o funcionamento das coisas.
Depois que a Luluca terminou de me contar a história, lá fomos nós para debaixo da luz do abajur do quarto dela. Testamos nossos diferentes tamanhos de sombras. Ora o dela ficava maior que o meu, ora o contrário acontecia. E fomos dormir felizes da vida com nossa brincadeira. Provavelmente, eu mais do que ela por conta da minha deliciosa experiência como ouvinte de histórias.
Escrito por Denise às 17h30
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DOCE SABOR DE PASSADO
Eu não tinha a menor idéia se eles iam gostar ou não. Mas quando vi o anúncio de que a editora Abril estaria lançando uma coleção com livrinhos da Disney que vem acompanhados de um CD com a história contada e as devidas vozes dos personagens, nem pestanejei em comprar o primeiro exemplar.
Porque eu tive uma coleção assim na minha infância. Ela vinha com um disquinho de vinil. E eu lembro o quanto eu adorava colocar aqueles disquinhos para tocar na minha vitrolinha amarela portátil da Philips (é impressionante a capacidade que o avanço tecnológico tem de entregar ao mundo a nossa idade).
O primeiro livro é "O Rei Leão" e está com preço promocional de R$ 7,90, o que é ótimo para fazer um teste. Se a criança não gostar da idéia é possível parar por aí mesmo. Os demais exemplares da coleção terão custo unitário de R$ 17,90. Ao todo serão 25 livrinhos e eles são vendidos nas bancas de jornais.
Será que crianças acostumadas à internet, aos DVDs e a tanta tecnologia vão se interessar por ouvir uma história contada num CD? Ouvindo e virando as páginas de um livro para acompanhar?
Não posso responder por todas as crianças. Só sei que em casa foi um sucesso. Tivemos de ouvir três vezes seguidas a história. E embora a Luísa não tenha ficado para o bis e para o 'tris', acompanhou a história na primeira vez interessadíssima.
Na próxima semana chegará nas bancas o livrinho da "Bela e a Fera". E certamente nosso passeio dominical incluirá uma passada na banca de jornal mais próxima.
Escrito por Denise às 19h11
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CONTOS DA MONTANHA
Adoro as lendas japonesas. Ao mesmo tempo em que todos os elementos das lendas e de muitos contos de fada ocidentais estejam lá, como a bruxa, a fada ou a esperteza da heroína, há uma delicadeza especial e personagens novos para apresentarmos às crianças como monges, mestres e discípulos ou samurais. E há também sabedoria, ética e alguns finais tristes que eu particularmente gosto, porque acho interessante que as crianças conheçam histórias fantásticas que não acabem necessariamente com "e foram felizes para sempre".
Como se tudo isso não bastasse, o fato de este ano marcar as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil é um bom momento para apresentarmos elementos dessa cultura para nossas crianças.
Luísa trouxe esse livro da biblioteca da escola. De autoria de Lucia Hiratsuka e editado pela Edições SM, ele contém três contos que possuem o cenário das montanhas do Japão como elemento comum. Já temos "Histórias Tecidas em Seda" da mesma autora e nos deliciamos com mais esse exemplar tão bonito.
É nas montanhas geladas que Minokichi se depara com Yukionna, a mulher da neve que não deixa voltar vivo para casa quem olha para ela, mas que resolve dar uma segunda chance a ele em troca da manutenção do fato em segredo.
No isolamento do vale entre as montanhas, por sua vez, vive um povo amedrontado por um Oni, monstro terrível que seqüestra as mulheres da aldeia até que o samurai Raikoo consiga livrar o lugar do malfeitor com a ajuda dos presentes que ganha de um velho sábio habitante das montanhas.
E é também nas montanhas que acontece a história do aprendiz do mestre que resolve entrar na floresta para colher castanhas e tem de enfrentar a terrível bruxa Yamauba, famosa por comer crianças. Os amuletos que lhe foram dados pelo seu mestre o ajudam a voltar para o templo, onde ocorre o duelo final entre a bruxa e o mestre, que a vence graças a sua sabedoria e esperteza.
Para completar a delícia que é esse livro, há um glossário contendo o significado de algumas palavras japonesas que fazem parte das histórias e uma página falando sobre objetos e brincadeiras tradicionais do Japão.
A princípio imaginei que o livro fosse mais indicado para os maiorzinhos. Mas contei as histórias na hora do almoço das crianças, e Rodrigo interagiu e arregalou os olhinhos tanto quanto a Luísa. Considerando que eu também vibrei com os enredos, concluo então que é indicado para todas as idades.
Escrito por Denise às 21h14
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COCÔ NO TRONO
O livro de Benoît Charlat editado pela Companhia das Letrinhas é um ótimo reforço para as mães que como eu estão passando pelo processo do desfraldamento.
Com ilustrações e texto bem divertidos, um pintinho nos guia pelo mundo do cocôs dos animais, e vai nos mostrando como é o cocô de um porquinho, de um lobo, de uma dupla de pingüins, de uma cobra, de um rinoceronte e de um elefante.
Ao final, o próprio pintinho narrador vai ao trono, sozinho como gente grande, cabendo ao leitor apertar o botãozinho da descarga, que imediatamente emite o som que lhe é peculiar, sob os aplausos de todos os animais que saem da página numa dobradura gigante.
Com capa dura, ilustrações grandes, com o efeito final de sons e do pop-up, e com um tema tão inserido no mundinho deles, o livro agrada em cheio os mais pequenos. E é um ótimo reforço para o vocabulário das mães nesta fase. Ao invés de ficarmos repetindo as velhas frases de sempre, podemos falar: - Quer fazer cocô na privada, sozinho como gente grande, igual ao pintinho?
Além do pintinho, Rodrigo gosta particularmente do rinoceronte dorminhoco, que vai para a privada de coelhinho de pelúcia em punho e chupeta na boca. Ele morre de rir com aquele rinoceronte imenso de chupeta como ele.
Escrito por Denise às 18h37
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O QUE VOCÊ TEM AÍ, SR. JACA?
Sr. Jaca é um simpático jacaré de uma coleção de livros de Jô Lodge editado pela ABC Press, que encanta os mais pequenos.
Os livrinhos ensinam os pequenos a reconhecerem as cores, as horas, os sons, o clima, a brincarem com os opostos.
Neste que temos e que o Rodrigo adora, o sr. Jaca os ajuda a aprender a contar até cinco. É um livro do tipo pop-up, daqueles em que as figuras saem da página como que por mágica. Adoramos particularmente a página final em que a resposta à dúvida “O que você tem aí, Sr. Jaca?” é um jacaré que pula da página com um bocão enorme e a seguinte frase: “Um sorriso cheio de dentes”.
Escrito por Denise às 17h49
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OLEMAC E MELÔ
Fiquei muito feliz em ver este livro de Fernando Vilella na lista de 2008 dos 30 melhores livros infantis do ano, recentemente publicada pela revista Crescer.
Pelas metáforas que utiliza, por toda a sensibilidade que destila e pelo fato de mostrar para as crianças paulistanas sua cidade sob um prisma diferente do que aquele que elas estão acostumadas a ver, acho o livro realmente genial.
Olemac é um camelo que trabalhava feito um burro de carga para um comerciante árabe. Cansado de carregar tantas tralhas, num belo dia ele foge, entra num barco e vai parar no outro lado do oceano, no Brasil, ou, mais precisamente, no Rio de Janeiro em pleno Carnaval. Olemac então, meio atordoado com toda aquela festa na rua, entra num caminhão e vem para São Paulo. Aqui ele conhece Melô, que trabalha como camelô no centro da cidade. E é sobre a amizade que floresce entre estes dois seres que tanto se parecem (um camelo e um camelô, Olemac e Melô) que versa o resto da história.
As ilustrações feitas pelo próprio Fernando são outro motivo para nos apaixonarmos por este livro. Boa parte delas é composta por xilogravuras feitas com borracha branca retangular, o que me lembrou muito da minha infância, quando usei as tais borrachas várias vezes como carimbos. Luísa não só adorou a idéia, como também quis experimentá-la.
Uma maneira linda e sensível de mostrar para as crianças as diferenças sociais de uma grande metrópole, de fazer com que eles entendam melhor a vida dura daqueles comerciantes de rua que eles costumam ver, e de despertar neles a curiosidade de conhecerem melhor a cidade em que vivem.
Escrito por Denise às 18h09
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UM DOCE AROMA DE MORTE
O livro de Guillermo Arriaga, autor mexicano que também é roteirista de alguns filmes intrigantes como Babel, 21 Gramas e Amores Perros é muito interessante e explora a velha máxima de que uma mentira repetida à exaustão transforma-se em verdade absoluta.
Ramón é filho de uma viúva e dono de uma venda num pequeno povoado mexicano. Um dia ele encontra uma mulher, Adela, morta no campo nua. Cobre seu corpo esfaqueado com sua blusa. Embora ele só a tenha visto algumas vezes e de relance, o boato de que a defunta era sua namorada se espalha e acaba transformando-se numa verdade que o impele a vingar a morte da suposta amada.
O mesmo ocorre em relação ao assassino de Adela. Os boatos sobre sua identidade acabam transformando-se em fatos, tornando o desfecho de um duelo entre suposto namorado e suposto assassino inevitável.
Num mundo onde boatos e fatos confundem-se cada vez mais diante da ânsia jornalística por audiência, o livro de Arriaga faz pensar.
Escrito por Denise às 18h11
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O PASSEIO DE ROSINHA
O livro de Pat Hutchins faz parte da coleção Crianças Criativas da Global Editora e é indicado aos bem pequenos.
Com frases curtas e ilustrações belíssimas, conta a história de uma galinha chamada Rosinha que num belo dia resolve sair de seu galinheiro para passear. É seguida de perto por uma raposa que parece bastante interessada na sua carne tenra, mas que é tão desastrada que nunca consegue alcançá-la. A raposa tropeça e cai no lago, num monte de feno, em cima de uma carroça e fica sempre para trás. Rosinha, na verdade, nem sequer a vê e segue tranqüila em seu passeio.
Através desse passeio, mostramos para os pequenos conceitos como “ em volta”, “por cima”, “em frente” e “por baixo”.
E prepare-se para repetir a história inúmeras vezes. Pelo menos aqui em casa, vira e mexe Rodrigo pede novamente a itóia da ózinha e da apôsa (história da Rosinha e da raposa).
Escrito por Denise às 14h22
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