Blog da Macacada

Olha só o que eu achei do livro


 
 

SABER CONTAR FAZ TODA DIFERENÇA

Rodrigo adora livros, coisa que me dexa muito feliz. A bibliotecária da escola já veio inclusive conversar comigo sobre como ele gosta deles e das histórias que ela conta. Ultimamente quando ele gosta de uma história que ouve por lá, pede para ela anotar o título do livro num papelzinho. Traz o papel para casa e começa a pedir para eu comprar o livro. E não adianta falar que não tive tempo de passar numa livraria. Ele tem a resposta na ponta da língua: "Mamãe, compra na internet!"(ah, essas crianças espertas da era digital! Ficou bem mais difícil para as mães enganá-las).

O pedido mais recente foi duplo: "A Galinha Ruiva" recontado por Elza Fiuza e ilustrado por Leninha Lacerda; e "A Galinha Xadrez" escrito e ilustrado por Rogério Trezza. Os dois livros contam a mesma história. De uma galinha que tinha dois amigos: um pato e um porco (na versão de Rogério Trezza tem também um rato divertidíssimo). Pede a ajuda deles para semear, regar, colher e debulhar o milho; e também para fazer o bolo. Eles se negam a ajudar, mas aparecem para comer o bolo. No final, aprendem a lição de que devem ajudar os amigos.

Mas enquanto o primeiro livro é um tanto quanto burocrático, o segundo é divertidíssimo! "A Galinha Ruiva" conta a história em estrofes de quatro versos e usa de um recurso que crianças pequenas costumam gostar bastante, que é a repetição de um bordão (Está certo, está certo! Muito bem! Deixem que eu faço sozinha...), mas que é meio chato para quem conta a história. As ilustrações são bonitinhas, mas não empolgam muito.

"A Galinha Xadrez" em compensação é uma delícia. As ilustrações são ótimas, construídas com abas. O desenho da frente é complementado pelo que está atrás da aba. O texto também é rimado, mas é leve, cheio de humor. "Seu porco me ajuda a lavar prato? Agoranumposso! Estou lavando o sovaco!"

Eu não conhecia nenhum dos dois livros, e comprei os dois. E aprendi que uma história contada com humor e leveza é tão mais divertida, que parece até outra.



Escrito por Denise às 22h17
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NA CASA DA RUTH

No final do mês passado fomos ao espetáculo de teatro “Na Casa de Ruth”. É um musical que faz uma homenagem à obra de Ruth Rocha, que é uma autora infantil que eu adoro e que todos lá em casa curtem muito (é difícil na verdade achar gente que não goste da Ruth Rocha).

 O espetáculo tem canções criadas por Hélio Ziskind (do Cocoricó e Castelo Rá Tim Bum) a partir de histórias e do universo da autora. Quem protagoniza é a cantora Fortuna, junto com um coral de crianças do Sesc. O espetáculo é muito bom e as crianças adoraram, mas nem adianta eu recomendar, porque fomos no último final de semana da temporada aqui em São Paulo.

 Mas vale a pena dar uma olhada nos vídeos disponíveis. Eu adorei particularmente a versão de Borboletinha. 

 

Também há um CD com as músicas do espetáculo, que compramos na saída, disponível para venda via web. E é claro, vale a pena sempre comprar livros da Ruth Rocha para os pequenos. A versão de “Quem tem medo de quem?” feita para o espetáculo, por exemplo, é cantada pelos dois com o livro em punho. Esse livro faz parte de uma coleção lançada pela Editora Melhoramentos que tem ainda como “brinde” as belíssimas ilustrações da Mariana Massarani, que é uma das ilustradoras preferidas de todo mundo lá de casa.



Escrito por Denise às 09h03
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PÍPPI MEIALONGA

Adoro literatura infantil. Na verdade, adoro literatura. E a literatura infantil é apenas um pedacinho desse mundo maior. Pode ser tão genial e tão tocante quanto qualquer livro para adultos.

Nesse sentido, ter filhos é uma dádiva. Porque quando crescemos perdemos o passaporte para esses livros por vezes tão especiais e maravilhosos.

Aproveitando que agora recuperei esse passaporte, comprei uma edição linda de Píppi Meialonga, da sueca Astrid Lindgren. Lançada pela Companhia das Letras, essa edição tem capa dura e ilustrações de Lauren Child, a criadora de Clarice Bean e Lola.

Píppi Meialonga era um dos meus dos livros prediletos, quando era pequena. Lembro-me direitinho dos desenhos do meu livro, daquela menina de cabelos vermelhos, tranças e uma meia de cada cor. Aquela menina tão esperta, que não conhecia convenções sociais e que tinha a sorte de morar sozinha, mandar em si mesma e viver com tanta liberdade. Que tinha um cavalo, um macaquinho de estimação e que cozinhava como ninguém. E que era mais forte do que o homem mais forte do mundo. Folheei tanto esse livro, que ele desmontou.

Reviver todas essas lembranças recontando essa história para as crianças foi uma delícia! Como eu previa, Luísa, que tem a idade da Píppi adorou a personagem e encantou-se com sua liberdade, sua inteligência e seu jeito desbocado e descolado. Rodrigo também se divertiu muito, ainda que eu ache que os maiorzinhos conseguem compreender melhor as mensagens sutis do texto. De que liberdade tem um preço. E que vida selvagem, longe das convenções sociais tem vantagens e desvantagens. Mas ele gostou de cenas como a clássica em que a Píppi coloca os ladrões em cima do armário ou que brinca de atravessar a cozinha por cima dos móveis, sem pisar no chão.

O fato é que o livro, que já era um dos meus favoritos, ganhou lugar de destaque em nossa biblioteca. Contei para eles à noite, um capítulo por vez, saboreando essa delícia aos poucos. Recomendo. Para crianças e adultos, com ou sem filhos.



Escrito por Denise às 20h21
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AS 14 PÉROLAS BUDISTAS

Não sou budista. Mas encontrei na ioga e na meditação boas formas de aumentar minha saúde física e mental. Tenho praticado ambas regularmente há uns oito anos mais ou menos e tenho gostado muito.

Assim, logo que vi na prateleira da seção infantil da livraria “As 14 pérolas budistas” me encantei. O livro, que reúne 14 contos de tradição budista é de autoria de Illan Brenman, que encanta adultos em sessões de contação de histórias e também as crianças com suas obras divertidas, como o delicioso “Até as princesas soltam pum”. As belas ilustrações, por sua vez, são de Ionit Zilberman, que já trabalhou com o autor em outros livros.

Não é um livro fácil. Há várias palavras mais complexas que precisam ser explicadas para as crianças. Além disso, é preciso estar preparado para falar sobre budismo, monges, mosteiros, Tibet.

Mas contém ótimas maneiras de falar de valores como perdão, humildade, generosidade e sabedoria. E também ótimas apologias à virtudes como concentração, determinação, foco.

Como ambos gostam de livros de contos, onde a cada dia narro uma ou duas historinhas completas, o livro fez sucesso lá em casa. Embora tenha sido melhor compreendido pela Luísa – acredito inclusive que seja um livro mais interessante para os maiorzinhos – encantou Rodrigo também. E eu adorei. Algumas histórias, como as excelentes “O ponto de equilíbrio”; “A busca pelo elogio” e “Devolvendo o presente” ficaram gravadas definitivamente em minha memória.



Escrito por Denise às 20h19
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O REI BIGODEIRA E SUA BANHEIRA

Já tinha folheado esse livro numa livraria antes. É do mesmo autor e do mesmo ilustrador de “A bruxa salomé” e “A casa sonolenta”, Audrey e Don Wood; ambos muito lidos, folheados e apreciados aqui em casa.

Mas ouvir a história contada pelo Rodrigo foi delicioso. A bibliotecária da escola contou para a turma em uma das visitas semanais que eles fazem ao local. E ele pelo jeito gostou tanto, que veio recontá-la para mim.

É um daqueles contos aditivos que as crianças tanto adoram. O Rei Bigodeira não saia de sua banheira de jeito nenhum. Cada membro da corte tentou um estratagema distinto. Mas o rei fazia guerras, jantava e até dava um baile de máscaras na banheira. Até que um menino, que limpava a bagunça do banheiro após o baile teve uma idéia brilhante. Retirou o ralo da banheira. A água se foi e o Rei Bigodeira finalmente saiu.

Compramos o livro e agora ele pode me contar a história várias vezes.



Escrito por Denise às 20h30
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ALICE – EDIÇÃO COMENTADA

Li ainda adolescente Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e detestei. O surrealismo da história nunca me cativou. E o filme da Disney também não me agrada.

Mas nada como dar uma segunda chance a um autor. Na verdade aos autores no caso em questão.

Como adoro a estética de Tim Burton e jamais deixaria de ver sua versão de Alice nos cinemas, resolvi reler Lewis Carrol. Ganhei de uma amiga muito querida como presente de amigo oculto no ano passado o livro Alice – Edição Comentada, editado pela Zahar. O livro traz as duas obras de Carrol muito bem traduzidas; as ilustrações originais de John Tenniel e várias notas comentando versos, piadas e contextualizando várias situações de Martin Gardner, um estudioso da obra de Carrol.

Como muitas das piadas presentes nas histórias da Alice dizem respeito à Inglaterra vitoriana, aos limites de Oxford; ou são piadas que apenas a família Liddell  (a família da Alice que inspirou a história) compreenderia, as notas são mais que elucidativas. São fundamentais para quem não se apaixona por Carrol apenas lendo as histórias como foi o meu caso. Consegui, com a ajuda de Gardner gostar dessa história.

Para preparar a Luluca para a estréia do filme, comprei também uma edição linda da Cosac Naify. Contendo apenas com a história da Alice no País das Maravilhas, o livro vem dentro de uma caixa, imitando um baralho. É lindo mesmo, digno de colecionadores. Estamos lendo juntas e ela está adorando. Acha a Alice esperta, engraçada, divertida.

Que venha Tim Burton agora!



Escrito por Denise às 19h27
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RODRIGO, MARMELO, MARTELO

Marcelo, Marmelo,Martelo e outras histórias” de Ruth Rocha sempre foi um sucesso na minha em casa. A história do menino que não se conforma com o nome despido de significado dado para maioria das coisas, fez a Luísa rir quando era pequena, e agora encanta o Rodrigo.

Chamar cadeira de sentador, como faz o protagonista do livro, é um clássico aqui em casa.

Depois que temos filhos, é fácil entender porque certos livros encantam gerações. É que autores como a Ruth Rocha têm o dom de conhecer a lógica e o funcionamento que regem a cabecinha das crianças. Outro dia, por exemplo, Rodrigo falou:

- Mãe a gente bem que podia ir na loja que vende comida né?

- No supermercado?

- Não, mãe, qualquer uma loja da praça de alimentação.

Então descobri que loja que vende comida é o nome que restaurante deveria ter na cabecinha dele. E compreendi que toda criança é um pouco Marcelo Marmelo Martelo.



Escrito por Denise às 20h51
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A SAGA DE HARRY POTTER

Há algum tempo comprei a coleção toda dos livros de J.K Rowling que trazem o famoso bruxinho como personagem principal. Aproveitei as férias de janeiro para levá-los. Achei que 15 dias na praia de papo para o ar combinariam com algo despretencioso. Além disso, queria lê-los antes da Luísa, para saber se era recomendável e para poder conversar com ela sobre eles, quando ela se interessasse por eles. Aqui em casa, nunca vimos os filmes e conhecíamos muito pouco sobre a história.

Fiquei bem surpresa com o que li. Ao contrário do que eu pré-julgava, os livros não são bobos ou infantis. São divertidos, emocionantes e dão aquela vontade de lermos sem parar até descobrirmos como termina essa história. Foram semanas de grande diversão devorando os sete livros que fazem parte da série e lendo também “Os Contos de Beedle, o Bardo”, livro citado no último Harry Potter e editado a seguir por J.K.Rowling.

Particularmente pensando no público infantil, vários aspectos chamaram minha atenção. Existe um personagem realmente mau, mas a maioria deles é composta de seres humanos, com todas virtudes e falhas características de nossa raça. O próprio Harry não é um poço de pensamentos virtuosos e positivos, ainda que tenha algumas das virtudes típicas dos heróis.

Os dilemas também vão mudando, na medida em que os personagens principais vão crescendo. No começo da saga, Harry é uma criança de 11 anos. Ao final dela, é um jovem adulto de 18. Rebeldia, dificuldade em lidar com o destino, despertar para o amor e para a sexualidade, busca por uma identidade, amadurecimento do caráter, são alguns dos temas que cercam essa fase e que estão presentes nos livros.

Luísa provavelmente ainda vai demorar um pouco para lê-los. Percebo que ela ainda sente necessidade de livros ilustrados, com letras grandes e histórias que terminam em cerca de 50 páginas. Mas quando começar, terei alguém para discutir comigo as maravilhosas peripécias desse bruxinho adorável.



Escrito por Denise às 20h30
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ORGULHO DE MÃE

Tentar não projetar minhas expectativas sobre as crianças é um exercício diário que faz parte do meu aprendizado como mãe. Mas não tem jeito. Minha porção leitora voraz, cujo maior sonho em criança era ser uma escritora famosa, ficou exultante quando acordei hoje e a Luísa perguntou:

- Mamãe, a que horas você volta da escola hoje? (não, ainda não acabei o curso. Só darei meu grito de liberdade aos sábados no final desse mês)

- Umas 16:30hs filha. Por que?

- Porque eu quero ir na Livraria da Vila hoje, participar da sessão de autógrafos do Ilan Brenman. Você me leva?

É claro que levei. Feliz da vida. Um pedido de filho para ir encontrar um autor em uma sessão de autógrafos não se recusa de jeito nenhum!

A Luísa já conhecia o Illan Brenman. Na Semana de Leitura da escola, que acontece em outrubro, ele compareceu, para falar do livro "O pó do crescimento", uma coletânea de contos que ainda não li. Pois é, agora já tenho livros em casa que a Luísa leu antes de mim! Ela leu na escola, adorou e eu ainda não tive tempo de conferir.

Mas o livro que lançado hoje foi o delicioso "Pai, todos os animais soltam pum?", com ilustrações de Ionit Zilberman, da editora Brinque-Book. A curiosa e encantadora Laura, personagem do anterior "Até as princesas soltam pum", pergunta agora a seu pai se todos animais soltam pum. O pai acha essa pergunta muito mais fácil que a outra e responde afirmativamente. Mas aí, a esperta Laura indaga: até a minhoca? E a pulga? E os golfinhos? E as borboletas?

A conversa entre os dois termina com a filha dando uma aula ao pai.

E se você também quiser descobrir se esses bichinhos soltam ou não pum, tem uma entrevista com uma bióloga ao final do livro que esclarece definitivamente o assunto. Recomendo também uma visita a Livraria da Vila, sobretudo a essa unidade da Fradique Coutinho. É um excelente programa para famílias com crianças em São Paulo. Tem um dos melhores acervos de literatura infantil que eu conheço. A disposição dos livros e o charme do local completam o cenário.



Escrito por Denise às 21h59
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MEU PRIMEIRO LAROUSSE ENCICLOPÉDIA

Assim como acontece com brinquedos, muitas vezes as crianças não ligam muito para um determinado livro e o deixam ali encostado. Aí depois de um tempo, parece que o redescobrem.

 

Há uns dois anos Luluca ganhou de aniversário o livro “Meu primeiro Larousse Enciclopédia”. Conhecendo sua curiosidade, achei que ela ia adorar o livro. Mas ela literalmente o deixou de lado. Talvez porque ainda não sabia ler e realmente não tem tanta graça ouvir uma enciclopédia de ciências sendo narrada por outra pessoa.

 

Mas neste ano ela redescobriu o livro. Fica sentadinha num canto um tempão entretida com os conhecimentos gerais que ele esconde. O livro parece mesmo ser ótimo para esta fase em que a criança já tem mais intimidade com a leitura, mas ainda prefere textos simples, curtos e com imagens.

 

No dia em que a vi pela primeira vez absorvida na leitura, perguntei o que ela estava lendo e ela veio me mostrar, contando sobre as teorias existentes sobre a extinção dos dinossauros. E emendou com a seguinte frase: - Não vejo a hora de chegar na página que fala sobre o nascimento!

 

Confesso que engoli seco. E retruquei: -Por que? E respirando aliviada, ouvia a resposta: -Porque as fotos do bebê na barriga desta página são muito legais, olha só!

 

Olhei a página. Ela começa com o desenho de um espermatozóide e um óvulo e diz que é preciso de um homem e de uma mulher para fazer um bebê. E acaba a história por aí, respeitando devidamente o posicionamento de cada família e falando sobre a gravidez e o nascimento.

 

O meu posicionamento nem é conservador em relação ao tema. Sou fruto de uma geração bastante liberal, ganhei “De onde vêm os bebês” aos 7 anos e sempre tive muita liberdade para falar sobre sexo com meus pais. Mas sinto um aperto no peito quando penso em explicar essas coisas para a filhota. É como se aquela inocência que os faz acreditar em bebês que vem do céu para a barriga da mamãe, velhinhos que entregam presentes ou coelhos que trazem ovos de chocolate definitivamente chegasse ao fim. Talvez por isto eu nem pense em tomar a iniciativa de lhes dar um livro, como fez minha mãe. Jamais me negarei a responder às suas perguntas sobre o tema, mas espero sempre na medida da curiosidade deles no momento. Sem mentira, mas sem adiantar nada.

 

O livro, “Mamãe botou um ovo”, que é divertidíssimo e instrutivo já está comprado. E guardado para quando a curiosidade efetivamente chegar e ver a pergunta: -Como é que se fazem os bebês?



Escrito por Denise às 14h41
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CHUPA-TINTAS

Ontem faltou luz em casa à noite. A vida moderna tornou ficar algumas horas sem luz algo muito esquisito. Passados os momentos iniciais de procurarmos lanternas e nos localizarmos na escuridão, as crianças logo perguntaram: -O que é que a gente vai fazer sem luz? Não dá para fazer nada! Sem televisão, sem computador, sem telefone...

Sugeri à Luísa que ele lesse para nós. Diante do ponto de interrogação que apareceu no seu rosto, eu disse: -Eu seguro a lanterna e você lê o livro.

E foi o que fizemos. Finalmente ela terminou de nos contar a história de "Um canudinho para dois", livro que ela trouxe da biblioteca da escola, e que é uma continuação de "O chupa-tinta" que ela havia trazido antes. Ambos são de autoria de Eric Sanvoisin e contêm ilustrações de Martin Matje. Contam a história de um vampiro diferente, que se alimentava da tinta dos livros e que, ao morder Odilon, filho do livreiro, transforma-o também num bebedor de tintas. O menino, que até então odiava livros, descobre o encanto deles ao transformar-se num apreciador de uma de suas matérias-primas. Na sua nova condição de vampiro, ele conhece Carmilla, sobrinha do Draculivro e que se transforma em sua namorada.

Ainda virão para a casa, dos mesmos autores,  "A cidade dos chupa-tintas" e "O pequeno chupa tinta vermelho".

Confesso que ainda estou tateando no campo da literatura infanto-juvenil. Depois de tantos anos mergulhando no mundo da literatura infantil, consigo reconhecer os bons autores e bons ilustradores já. Mas ainda não conheço muito os livros que andam agradando a Luísa no momento. Precisam ter frases suficientes para que sejam objeto de uma leitura mais demorada e reflexiva, mas ainda precisam ter ilustrações interessantes que complementem a história. A saga dos chupa-tintas atende bem a estes requisitos e traz uma mensagem bastante interessante. Depois de ler o primeiro, Luísa concluiu: -Acho que nós duas somos duas chupa-tintas. Foi capaz de entender bem a mensagem, relacionado a idéia de gostar de ler, de "devorar livros" com a saga de Odilon e Draculivro.

Com estes livros também pude reparar que a velocidade de leitura dela aumentou muito. Eu costumo ficar ao seu lado enquanto ela conta, para corrigir a leitura errada de uma ou outra palavra ou dar a entonação certa em determinada frase. E percebi que meu trabalho nesse sentido diminuiu consideravelmente.

E, para completar, ontem eles descobriram que não é preciso de luz elétrica para divertirem-se. Um bom livro e claridade são suficientes para alguns bons momentos de entretenimento. E eu, morri de rir ao ouvir, antes do início da leitura, a seguinte frase: -Antes de começar a ler, vou resumir o capítulo para você, porque sou muito faladista (leia-se faladeira) e adoro uma platéia de verdade (ela sempre lê sozinha para seus alunos imaginários)!



Escrito por Denise às 13h02
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EQUADOR

Faz um tempão que não faço resenhas de livros. Continuo lendo. O meu tempo quase diário de leitura na bicicleta ergométrica continua sendo bem utilizado. Só tenho andado mesmo é sem tempo para contar o que achei deles por aqui. Tenho várias resenhas de livros infantis na fila também.

Então resolvi começar a saldar essa dívida com um romance maravilhoso que li no início do ano. Foi um presente de Natal que ganhei dos meus primos queridos que moram em Portugal. Um romance do autor português Miguel Sousa Tavares chamado Equador. O livro já foi editado por aqui, mas eu ganhei a versão em português de lá, que foi uma delícia de ler!

É uma história sobre dominação, diferenças culturais, mecanismos de funcionamento da política, dificuldade em se levar ideais adiante quando se está sozinho, ingenuidade e desterro. Conta a história de um homem da corte que é intimado pelo rei a ser o novo governador das ilhas africanas de São Thomé e Príncipe. São colônias que produzem cacau e que estão sendo acusadas pela Inglaterra de manterem trabalho escravo, apesar de um acordo existente entre os países de não mais fazê-lo. Esse homem tem de garantir que o diplomata que será enviado pela Inglaterra às colônias fará um relatório favorável a Portugal. Este inglês, por sua vez, também é um desterrado. Depois de uma carreira meteórica na Índia, sofre um revés e é enviado a São Thomé e Príncipe.

A amizade entre esses dois homens que estão em campos opostos e um caso de amor que se interpõe entre eles completam a trama. Uma deliciosa trama de mais de 500 páginas que nos envolve, que nos faz ter aquela sensação maravilhosa de quando lemos um bom livro. Ao mesmo tempo queremos não parar de lê-lo para saber como termina a história, e lê-lo bem devagar para podermos saboreá-lo ao máximo.

Queridos Luís e Dani, obrigada pelo presente. Gostei tanto que um outro título do autor, Rio das Flores, já está em minha próxima lista de compras.



Escrito por Denise às 10h49
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ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM

Acho o bom escritor de livros infantis de uma genialidade incrível. Porque ele tem a capacidade de achar caminhos inusitados para explicar para as crianças coisas muitas vezes complexas. Consegue entrar no mundo dela de um jeito que só ele sabe.

Este é o caso de Ilan Brenman no excelente “Até as princesas soltam pum” editado pela Brinque Book e lindamente ilustrado por Tonit Zilberman.

Ele conta a história de uma menina que chega em casa indignada com um amiguinho que chamou a Cinderela de peidona. E pergunta ao pai se aquilo que o menino disse podia ser mesmo verdade. O pai então revela que existe um livro muito especial contendo os mais secretos segredos das princesas dos contos de fadas.

Através dessa maneira tão especial, tão ao gosto dos pequenos em sua fase escatológica, Ilan consegue mostrar para as crianças que todos, sem exceção, são "gente como a gente". Nem mesmo as princesas lindas, boazinhas e queridas são perfeitas.

O livro agradou tanto a maiorzinha quanto o pequenino lá de casa. Assim que terminei de ler, Luísa disse: - Mãe mas você é perfeita né?

-Não minha filha, se até mesmo a Cinderela solta pum, porque eu haveria de ser diferente não é mesmo?



Escrito por Denise às 18h17
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DE REPENTE, NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE

Tenho aproveitado que as crianças estão dormindo no mesmo quarto e que tenho uma poltrona confortável instalada ali, para ler histórias para eles. Normalmente primeiro conto uma história de um livro com ilustrações, e depois começo a ler um que não tenha, para que eles possa imaginar seus próprios cenários.

Este livro de Amós Oz não foi escrito para o público infantil. Mas pode ser contado em capítulos aos maiorzinhos.

Ao contrário da linguagem mais tradicionalmente usada pelo autor, de quem li também o ótimo “A caixa preta”, o livro é uma fábula.

Conta a história de uma aldeia onde não há animal nenhum e onde as crianças são proibidas de entrar no bosque vizinho à aldeia, pois segundo os mais velhos ele é habitado por Nehi, o demônio das montanhas. Quem não cumpriu a ordem e se embrenhou no bosque nunca voltou de lá, ou voltou mentalmente doente.

As crianças só conhecem os animais pelas fotos que lhes são mostradas pela professora da escola. Mas duas delas, resolvem enfrentar o perigo e se embrenhar no bosque. Mati e Maia descobrem então o segredo por trás deste mistério. E nos ensinam sobre tolerância, discriminação, convivência com o outro e integração do homem com a natureza. Uma ótima maneira de conversarmos com nossos filhos sobre assuntos tão contemporâneos.



Escrito por Denise às 10h59
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INVASÃO DE PRIVACIDADE

Eu sei que isto pode ser chamado de invasão de privacidade. Que esta foto poderá ser censurada futuramente pelo próprio fotografado. Mas não resisti quando vi o menininho sentando-se no trono e pegando a revista semanal para inteirar-se das últimas da política e da economia. Cadê mesmo aquele meu bebezinho que ainda ontem usava fraldas e precisava ser trocado?



Escrito por Denise às 20h17
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