Blog da Macacada

Reflexões de mãe


 
 

PARA BRINCAR SÓ PRECISA MESMO DE IMAGINAÇÃO

As mensagens publicitárias dos canais infantis enlouquecem os pequenos. É cada brinquedo mais bacana que o outro, e a cada visão de um deles, ouço as palavras "eu quero" ou "você compra para mim".

Mas a verdade é que criança não precisa de nada muito sofisticado para se divertir. Ontem mesmo tivemos umas boas duas horas de brincadeira aqui em casa. O único apetrecho era uma caixa de papelão. Que fazia às vezes de controle remoto. Um deles ficava com o controle. E o outro era um helicóptero. A criança que estava com o controle nas mãos, dava ordens ao helicóptero (porque não bastava apertar o controle, precisava mandar o helicóptero obedecer).

- Vira para o lado. Para frente. Agora sobe. Pula! Turbulência (ao ouvir essa palavra a criança-helicóptero balançava a cabeça freneticamente)!

Depois de um tempo, os papéis se revezavam.

Divertiram-se, riram e passaram um bom tempo juntos.



Escrito por Denise às 21h05
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OS TAIS COMBINADOS

Quem tem mais de um filho, sendo eles pequenos o suficiente para não entenderem porque não podem pisar na linha amarela da escada rolante, mas grandes o suficiente para saírem correndo pelos corredores, ou para desmontarem uma vitrine enquanto você paga por alguma mercadoria numa loja, certamente dirá que ir sozinha com eles a um shopping center é sinal claro de insanidade.

 

Pois ontem eu cometi essa loucura. Precisava comprar presentes para os professores da Luísa e para amiguinhos das crianças que farão aniversário, e não tinha como ir sozinha. Precisava levá-los comigo.

 

Assim que eles entraram no carro depois da escola, já fui logo dizendo que gostaria muito de ir ao shopping com eles para que eles pudessem me ajudar na escolha dos presentes, mas que, para que isso acontecesse, eu precisava já combinar algumas coisas: nada de andar ou pisar onde não deve nas escadas rolantes, nada de sair correndo na minha frente, nada de fazer bagunça nas lojas e nada de gracinhas. Terminei com a frase: “Combinado? Posso confiar em vocês?”

 

Eles toparam. Luísa apenas questionou sobre o que significava exatamente "nada de gracinhas". Eles não iam poder fazer nenhuma piada? Dar nenhuma risada?

 

Uma vez explicado que eu entendia por gracinhas brincadeiras do tipo espião (eles adoram brincar que estão me espionando em lojas de departamento, escondem-se no meio das araras e eu quase enlouqueço procurando a dupla) e coisas do gênero e que risadas e piadas poderiam acontecer desde que não envolvessem correria e sumiço, seguimos para o shopping.

 

Deu tudo certo. Eles comportaram-se como dois anjos. Foram pacientes, ajudaram na escolha dos presentes e não me desobedeceram uma vez sequer. Ao entrarmos no carro para irmos para a casa perguntaram: - E aí mamãe, cumprimos o combinado?

 

Elogiei, disse que cumpriram sim o combinado, e pela primeira vez em muito tempo voltei de uma ida ao shopping com as crianças sem a cara de quem acaba de enfrentar um furacão.

 

Sei que combinados não funcionam sempre. Mas se existe um caminho para obter colaboração dos pequenos acredito que seja esse. Avisar antes o que vai acontecer, como você espera que eles se comportem e o quais serão as conseqüências do não cumprimento do trato.

 

E é claro que consistência é fundamental. À noite Rodrigo pediu para que eu lesse a história de um livrinho para ele. Eu disse que já estava tarde. Que como nós fomos ao shopping, naquela noite não poderia ter história. Não daria tempo. Que na noite seguinte também não contaria porque teríamos uma festa à noite e chegaríamos mais tarde novamente. Mas que no dia após a festa eu contaria. Ele olhou para mim e disse: -Posso confiar em você?

 

Pode sim filhote. Vou cumprir o combinado.



Escrito por Denise às 13h39
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PARABÉNS PARA ELA!

Ando numa super correria por conta do término do meu curso de pós-graduação e não tenho conseguido atualizar esse espaço como eu gostaria. Estou guardando um montão de coisas dos filhotes na memória para contar depois que essa avalanche passar.

Mas tive de separar um tempinho hoje para registrar o aniversário da minha querida mãe.

Demorei muito para entender o verdadeiro significado do que ela fez, faz e sente por mim. Só tive uma compreensão completa disso quando me tornei mãe.

E isso só me faz desejar que ela viva pelo menos mais 64 anos para que eu possa agradecer, retribuir e continuar curtindo muito essa pessoa tão especial, co-responsável em grande medida pela adulta na qual me transformei.

Que os netos tenham a sorte de poder ter a vovó espanhola ao lado por todo esse tempo então!



Escrito por Denise às 18h12
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HORA DA VERDADE II

Relendo o que escrevi ontem, sobre a conversa com a Luísa, achei que faltou falar que, embora tenha sido mais fácil do que eu pensava, fiquei com bastante vergonha.

Não vergonha do assunto de um modo geral, mas um sentimento de pudor, por estar falando para a minha filha sobre o sexo que faço com o pai dela. Esse desnudar da nossa intimidade causou-me um certo estranhamento.

Tentei disfarçar e mostrar naturalidade. Espero ter conseguido. Mas o fato é que pais fazendo sexo é um tabu em nossa sociedade e encará-lo não é uma tarefa tão simples assim.

Em casa sempre deixamos muito claro que o papai é o namorado da mamãe e fizemos questão de mostrar que nos amamos, namoramos, damos beijo e abraço um no outro. Mas evitamos trocas de carinho mais explícitas na frente das crianças, assim como não assito TV quando eles estão por perto. Para não acelerar um processo que virá naturalmente.

Por isto anteontem o que aconteceu foi um descortinar desse outro universo que os pais dela possuem. Espero ter mais contribuído que atrapalhado para o desenvolvimento saudável da filhota.



Escrito por Denise às 10h02
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H1N1 NO IMAGINÁRIO DAS CRIANÇAS

Com todos os cuidados extras estabelecidos pela escola, as notícias na mídia e alguns amiguinhos da classe pegando a doença, a tal Gripe A entrou definitivamente no imaginário dos pequenos.

 

Se eu for lavar as mãos na frente do Rodrigo, por exemplo, vou ter uma verdadeira aula de como se lavam as mãos para evitar a guipi. O meio dos dedos, os punhos, a palma da mão e o dorso.

 

Outra ótima dele aconteceu na mesa do jantar. Olhou para o vidro de azeite em cima da mesa durante e disparou: - Que é isso? É o seu álcool gel para não pegar guipi?

 

Ele também tem certeza absoluta que a gripe suína pode ficar escondida embaixo da cama dele. Esperando quietinha para dar o bote e entrar no seu corpo. Aí ele vai ficar cheio de febre e dor. Tem um medo danado que a tal guipi esteja escondida lá no quarto. Nem mesmo olhar debaixo da cama e dizer que não tem nada ali funciona. Porque ele diz que o bichinho da guipi é muito pequenininho. A gente não consegue ver, mas ele está lá. Inclusive a amiguinha da escola dele outro dia pisou no tal bichinho e matou ele sem querer, de tão pequeno que ele é.

 

Dia desses lá na escola fez um calorão danado e apareceram várias mariposas, dessas que ficam em volta das lâmpadas. Luísa disse que sugeriu para que apagassem algumas luzes. Mas Rodrigo logo emendou: - Eu não, porque no escuro o bichinho da guipi aparece sabia? Ele não gosta de luz e ar fresco, gosta de escuro!

 

E tem também as elocubrações da Luluca sobre o tema. Três amiguinhos da classe pegaram a gripe, mas eu não deixei de mandá-la para a escola. E disse a ela que, como ela estava bem e saudável, não tinha porque deixá-la em casa. E ela: -Pois é né mãe, eu sou saudável, como coisas saudáveis...Acho que os meus amigos que pegaram comeram um montão de coisas podres, salgadinhos, balas, chocolates...

 

Pobre do H1N1! Nem imagina a força que tem.



Escrito por Denise às 13h20
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ARTIMANHAS

A definição do Houaiss para artimanha é: "procedimento para levar alguém ao engano; estratagema, ardil, artifício".

O dicionário esqueceu de contar que toda mãe tem alguma para convencer seus filhos de alguma coisa. Muitas vezes sinto até remorso por estar abusando assim da inocência deles. E procuro usá-las apenas quando não consigo pensar em nada mais nobre. Mas não fujo à condição de mãe ardilosa e acredito que 99,99% das mães também o sejam.

Por conta de alguns casos de gripe A na série da Luísa, ainda que não na mesma turma, todo o terceiro ano ficou sem aulas na quinta e na sexta-feira da semana passada. Na quinta os dois foram para a casa da avó. Na sexta, eu me organizei para ficar trabalhando em casa. Mas não queria ficar com os dois, porque não iria conseguir trabalhar direito.

Como fazer o Rodrigo ir para a escola, sabendo que a irmã dele iria ficar com a mãe em casa?

Acordei junto com ele, mas iria sair antes para a ginástica. Quem iria levá-lo para a escola seria o pai. A irmã ainda dormia no quarto. Então falei: - Rodrigo, eu queria te pedir um favor. Você não deixe a sua irmã ir para a escola hoje. A turma dela está com as aulas suspensas. Mesmo se ela quiser ir, o único que pode ir para a escola hoje é você. Dê uma bronca nela se ela insistir em ir tá? Só você pode ir com o papai hoje!

Ele arregalou os olhinhos e disse que ia fazer o favor que eu estava pedindo. E foi para a escola feliz da vida em ser o único privilegiado que poderia fazer isso naquele dia, conforme constatei ao ligar para o pai dele depois para saber se ele tinha ido direitinho para a escola.

Artimanha de mãe em estado puro.



Escrito por Denise às 14h57
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SONHO EMBLEMÁTICO

Nem sempre consigo lembrar dos meus sonhos, mas o da noite passada foi peculiar e está na minha mente até agora.

Não sei exatamente porque e através de qual mecanismo, mas o Rodrigo voltava para dentro da minha barriga e eu ficava grávida novamente. Uma gravidez tranquila e bem feliz, onde todos sabiam que eu teria o Rodrigo novamente.

Só que ele nasceu já falando, andando e com toda a memória do período entre o primeiro nascimento e a volta para a minha barriga, apesar da constituição física de bebê. Numa das cenas ele está no meu colo, no banco de trás do carro rindo e divertindo-se ao perceber "como ele havia encolhido". Ficava comparando o tamanho que tinha antes com o tamanho de agora.

E eu estava preocupadíssima. Como iria ele fazer tomar apenas meu leite, se ele já guardava na memória o gosto das demais comidas? Mas como ele ia mastigar guloseimas se ainda não tinha dentes? Em que ano da escola eu deveria matriculá-lo? Porque ele era desenvolvido demais para o berçário, mas fisicamente incompatível com o segundo ano da educação infantil, que era o ano que frequentava antes de voltar para a minha barriga.

Fui conversar com a professora e com a coordenadora da escola e procurei por médicos que conhecessem algo do fenômeno "nascer novamente mas manter a memória da sua primeira experiência de vida".

Minhas lembranças terminam aí. Não sei se acordei imediatamente ou se emendei outro sonho do qual não me lembro.

Não entendo nada de interpretação de sonhos, mas sonhar que meu pequeno voltou para a minha barriga e nasceu bebezinho novamente às vésperas do seu quarto aniversário é bastante compreensível. Assim como também consigo compreender o desejo explícito no sonho de que eles sejam sempre pequenos, mas ao mesmo tempo tenham autonomia suficiente. Andem, falem, comam sozinhos e sejam muito espertos. Mas sejam os nossos bebês.



Escrito por Denise às 13h37
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PESSOAS AO REDOR

Pessoas que fazem parte da nossa vida, de alguma forma acompanham o crescimento dos nossos filhos, e que muitas vezes sequer conhecemos pessoalmente. Coisas que a virtualidade propiciada pela tecnologia moderna permite.

 

Não estou falando apenas dos amigos virtuais que fazemos, mas de vários prestadores de serviços que contratamos virtualmente, e que muitas vezes nem chegamos a conhecer. Mas o fato é que, nada substitui olhar no olho e poder cumprimentar esses profissionais.

 

Com a proximidade da festinha de aniversário do Rodrigo, procurei novamente a Maitê. Conheci o trabalho dela quando estava procurando lembrancinhas para a festinha de 5 anos da Luísa, um arraiá junino que fizemos para os familiares junto com a prima Marina que veio de Londres para comemorar seu aniversário. Depois, fiz lembrancinhas para as festas do Rodrigo de 2 anos, 3 anos e novamente para a festa que ocorrerá no próximo domingo.

 

Dentre os prestadores desse tipo de serviço que conheci, a Maitê ocupa, sem dúvida, um lugar especial. Suas sugestões são sempre adequadas para a idade, as lembrancinhas são feitas com um super capricho e o preço é justo.

 

Neste ano, quando mandei um e-mail para trocarmos umas idéias sobre o tema da festa e sugestões de lembrancinhas, eu disse que ainda ontem eu estava pedindo sugestões para o aniversário de 2 anos do Rodrigo e agora ele já irá completar o dobro dessa idade. Ela então comentou que ficava emocionada por poder acompanhar o seu crescimento, poder fazer parte da vidinha dele.

 

E ela sequer me conhecia pessoalmente. Todas as vezes em que ela passou no meu escritório para entregar as lembrancinhas, eu estava almoçando fora. Mas hoje finalmente consegui conhecê-la, dar um abraço e agradecer pessoalmente esta pessoa que participa com tanto carinho e com um trabalho tão bacana da vida dos meus filhos.

 

A virtualidade tem vantagens incontestáves, mas um bom abraço ao vivo de agradecimento ainda é insuperável.



Escrito por Denise às 13h34
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CHEIRINHO DE FILHO EM FRASCO

O livro "Perfume" de Patrick Suskind está longe de figurar na lista dos meus prediletos, mas gosto muito de sua idéia central. O protagonista Jean Baptiste Grenouille tem um olfato extremamente desenvolvido e desde muito novo se engaja na tarefa de dominar a arte de produzir essências. Seu objetivo no entanto, é conseguir produzir um perfume com o cheiro da beleza humana, que fascine a todos e lhe possibilite ter poder por conta disso.

Sempre que mergulho meu nariz nos cabelos e no pescoço dos meus filhos lembro desse enredo. Porque eu adoraria ter a possibilidade de encapsular aquele cheirinho e poder desfrutar dele sempre que quisesse. A sensação de dormir enroscadinha nos filhos, sentindo o perfume de sua pele e dos seus cabelos é para mim uma das melhores do mundo. Poder senti-la a qualquer momento seria fantástico e provavelmente mais viciante do que os efeitos produzidos pelas drogas mais comumente comercializadas atualmente.



Escrito por Denise às 14h57
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A CONSULTA DOS 8 ANOS

Recentemente levei os dois pequenos para a consulta anual de rotina na pediatra. Foi uma consulta bem diferente das demais.

 

A pediatra dirigiu a consulta à Luísa. Falou com ela e para ela. Eu e o pai ficamos apenas escutando e aprendendo tudo a partir do diálogo entre as duas.

 

Essa passagem da minha pequena, de coadjuvante à protagonista na consulta, foi para mim mais um daqueles momentos em que me questiono quando foi que ela cresceu tanto e tão rapidamente que eu não percebi.

 

Depois de perguntar a ela se estava tudo bem, se ela não tinha nenhuma queixa de dores físicas, a conversa enveredou para as mudanças que estão por vir no seu corpo. Primeiro o aparecimento de um botão mamário, depois o outro. Pêlos pubianos, desenvolvimento dos seios e menstruação. Não acontecerá já, mas ela explicou que há três grupos de meninas: as que começam a apresentar este desenvolvimento aos 9 e menstruam por volta dos 11; as que começam o processo entre os 10, 11 anos e menstruam por volta dos 13; e as que começam lá pelos 12 e menstruam por volta dos 15 anos (que foi o meu caso).

 

Mostrou estas mudanças em um livro com desenhos e disse que a partir do primeiro sinal de desenvolvimento, suas consultas passariam a ser semestrais, para que ela pudesse avaliar se o processo de desenvolvimento segue o curso esperado.

 

Depois, fez uma sessão de perguntas, que ela deveria responder usando duas possibilidades: fácil ou difícil. Estar na escola, relacionar-se com a professora, estar com a mãe, com o pai, relacionar-se com os meninos e com as meninas. Quase todas as perguntas tiveram fácil como resposta, à exceção do relacionamento com os meninos, considerado difícil e com as meninas, considerado mais ou menos fácil. Segundo a pediatra, todas estas respostas estão absolutamente dentro do esperado para a idade.

 

Aconselhou-a para que converse conosco sempre que achar que as meninas disseram algo que a tenha deixado magoada ou chateada, coisa muito comum de acontecer nessa fase. E disse que ela deveria cuidar para que três regrinhas fossem respeitadas: alimentar-se direitinho (coisa que ela já faz na escola); fazer pelo menos uma brincadeira ao longo do dia que envolva mexer o corpo; e deitar-se antes das 22 horas. Seguindo estas três regras, ela teria sempre uma pele e um cabelo lindos (conselho que eu particularmente adorei, pois tornou a minha tarefa de colocá-la para dormir bem mais simples desde então, atestando a máxima de que a vaidade feminina é mesmo poderosíssima).

 

Por fim, examinou-a. Não mais como uma menininha, mas como uma quase pré-adolescente. Com lençol cobrindo-a.

 

Adorei o jeito respeitoso e carinhoso com que ela foi tratada. Mas confesso que não tinha ainda me dado conta do quão próximo estamos de termos uma mocinha e não mais uma menininha em casa.



Escrito por Denise às 14h54
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A SORTE DOS MEUS

Tem gente que nasce com muita sorte. Meus filhos estão dentro desse grupo.

Seu pai os acalentou e acalenta até hoje nas muitas noites em que por inúmeras razões perdem o sono. Deu e dá banho, trocou fraldas, deu remédio. Preparava as mamadeiras, esquenta o prato de comida. Leva diariamente para a escola, comparece às reuniões de pais, indaga sobre suas vidinhas, dá conselhos, troca confidências. Assite TV junto, conhece todos os super-heróis que fazem sucesso no momento. E também assiste aos filminhos teen que a filha gosta.

Mas, principalmente, os envolve com seu abraço, seus beijos, seu afeto. Sempre o ouço dizer com todas as palavras "filhos eu te amo". Está sempre ali, pronto, para demonstrar o amor incondicional que sente pelos dois. Zela pela auto-estima deles, sempre deixando claro que acredita em sua capacidade. Oferece a mão para caminhar ao lado deles, mas também os incentiva a soltarem da mão e seguirem sozinhos quando já são capazes. Faz com que eu sinta que estão tão bem ou ainda melhor com ele, caso eu precise estar ausente.

Tenho certeza que tudo isso o torna digno da homenagem de hoje. Feliz Dia dos Pais para aquele que realmente entende o significado dessa palavra!



Escrito por Denise às 10h12
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VIDA DE RECÉM-CASADA

Nem me lembrava mais de como funcionava. Com as crianças dormindo na casa da avó em plena segunda-feira, saí do trabalho uma hora depois da habitual. Cheguei em casa, silêncio.

Aproveitei e me esparramei no sofá para assistir Jornal Nacional, que nem lembrava quando tinha sido a última vez que havia visto. Depois, preguiçosamente fui tomar banho, um banho mais demorado que aquele corrido que costumo tomar à noite, na companhia do Rodrigo debaixo do chuveiro.

Saí e, como só tinha a minha mala da ginástica para arrumar, rapidinho estava de volta ao ócio em frente da televisão. Depois de alguns minutos maridão chegou e fomos jantar sossegagos.

Sem barulho, sem "Manhê, pega para mim?", sem correria, sem ter de fazer ninguém tomar banho, escovar os dentes ou dormir.

Uma verdadeira maravilha!

Desde que só aconteça de vez em quando. Porque sinceramente, o mundo seria muito chato se todo dia fosse silencioso, sem ninguém pedindo para eu pegar as coisas, para tomar banho comigo, ouvir minhas histórias ou deitar no meu colinho para dormir...



Escrito por Denise às 12h54
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DIA DO AMIGO

Segunda-feira foi o dia do amigo. Eu nem sequer lembro direito dessas datas, mas coincidentemente ou não, falei com um amigo querido com quem há muito eu não conversava.

Amigo dos tempos de faculdade. Amigo muito especial. Que seguiu ao meu lado ao longo dos anos e virou meu compadre, ao aceitar ser padrinho da Luísa. Amigo para quem eu olho hoje e mal acredito que éramos tão jovens quando nos conhecemos...E hoje temos marido, mulher, filhos, emprego e não mais matérias para estudarmos, viagens com a turma e festas para irmos.

Nada como reencontrar alguém tão querido, que infelizmente passou por uma fase difícil sem que eu soubesse, para lembrar o quanto é bom termos perto da gente pessoas com as quais nos preocupamos e com as quais sabemos que podemos contar. Uma grande distância física nos separa hoje. Mas querido amigo, você continua sendo alvo dos meus melhores pensamentos. Que ainda possamos comemorar muitos momentos bons juntos. E que também possamos contar um com o abraço do outro nos momentos tristes. Deixo para você um grande abraço.



Escrito por Denise às 21h06
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CIDADE MARAVILHOSA

Não é à toa que esta cidade recebeu tantas homenagens em prosa e verso. Acho que ela possui uma combinação de luminosidade, verde e mar que não existe igual no mundo. E se você tiver a sorte de visitá-la na companhia de amigas queridas, com a filhota à tiracolo e sendo recebida com um carinho imenso pelas lindas moradoras, o passeio certamente transformar-se-á num dos melhores de todos os tempos.

 

Pois o meu foi assim.

 

Eu já tinha ido ao Rio várias vezes, mas sempre a trabalho. Além de apreciar a orla e conhecer um ou outro restaurante, não conhecia mais nada.

 

Desta vez pude me esbaldar. Cristo Redentor, bondinho no Pão-de-Açúcar, passeio a Niterói para conhecer o Mac, almoço nos quiosques de Copacabana, Quinta da Boa Vista, Jardim Botânico, passeio pelo Centro, doces na Colombo, visita guiada à Biblioteca Nacional com direito a passeio exclusivo e tudo o mais.

 

A Luísa gostou tanto que já tem até planos. Quando crescer, casar e tiver seus dois filhos, vai morar no Rio de Janeiro, a umas duas quadras da praia que é para não ter carro, apenas bicicleta com cadeirinha para carregar as crianças.

 

Eu também adorei demais nossas férias. Só de olhar as fotos já me dá saudades! Obrigada amigas cariocas pelo carinho. Obrigada Angélica por ter me recebido e ter nos dado o prazer de conviver com a Joana e com toda a sua família.

 

Que janeiro chegue logo, porque a Luísa já decidiu que voltará em janeiro com o irmão para curtir uma prainha, única coisa que não conseguimos encaixar na nossa agenda desta vez.

 

A criançada toda a postos para entrar no bondinho rumo ao Cristo. Detalhe para Luluca abraçadinha na Gui e na Joana.

 

A mulherada que se encontrou no RJ. Onde a gente ia tinha zum zum de criança e mulher fofocando. Por que será?

Lu fazendo pose numa das varandas da Quinta e nós , Dinha, Alê e Marcinha em Copacabana.

 

Lu na escadaria da biblioteca Nacional. E eu, Angélica e Marcinha nos esbaldando na Colombo. 

 

Só mesmo no RJ... Você vai ao Jardim Botânico e dá de cara com uma paisagem linda que inclui o Cristo. 

 

 Fomos de barca até Niterói conhecer o MAC e, no final do dia, ao Forte Copacabana. 

 

Luluca na Lagoa, tomando o seu sorvete predileto (Crunch).



Escrito por Denise às 13h15
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UMA NOVA DIMENSÃO PARA O TEMPO

Dentre as inúmeras coisas que os filhos nos ensinam, gosto particularmente do aprendizado que tenho com eles sobre a maneira como utilizamos nosso tempo. A maioria dos adultos acha que tempo bem gasto é aquele em que estamos absorvendo algum tipo de conteúdo. Sempre fui uma pessoa contemplativa, mas como ao mesmo tempo sou também irriquieta, acho que até ter filhos eu também pensava assim.

 

Mas aí eles vêm e nos ensinam.

 

Rodrigo anda conversando sobre pássaros e nomes de pássaros nas suas aulas de música. Anda encantando com a música Passaredo, de Chico Buarque, que eu adorava quando criança e que mostrei para ele.

 

Como lá em casa tem muito bem-te-vi, no final de semana ficamos de ouvidos atentos para que ele pudesse aprender seu canto. E fomos para a varanda para ver se achávamos os bem-te-vis. Achamos vários. E ficamos quase uma hora observando as árvores em volta do nosso prédio e prestando atenção nos passarinhos. Além dos bem-te-vis, vimos um beija-flor azul turquesa que chegou bem pertinho da nossa varanda e um pássaro com a barriga laranja que comia a semente de uma flor da árvore que fica na calçada do nosso prédio. Ou melhor, como bem disse o Rodrigo, ele estava lá “pelo pólen mamãe!”.

Reparei em árvores e flores que tenho na vizinhança que eu nunca tinha visto. Senti o vento no meu rosto, vi como os passarinhos passam de um galho para o outro, onde fazem ninho, e fiquei ali, aconchegada ao meu pequeno, apenas contemplando. Foi uma das horas mais bem gastas dos meus últimos meses.



Escrito por Denise às 18h31
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